segunda-feira, 27 de julho de 2009

Aiii que NERVOS!!! Isto é demais para uma manhã de segunda-feira! O QUE É QUE aquele minúsculo frasco azul de DESODORIZANTE está a fazer no armário da cozinha, juntamente com os ovos, arroz, massas e outros itens alimentares???
Amanhã vou-lhe servir o pequeno-almoço na cama, numa cena romântica! Adivinhei o menu!
Torradas barradas com Nivea Roll-on for men, acompanhadas de uma chavenazinha de Vasenol Gel Cuidado intensivo com uma pitadinha de pó de talco!
Acordo-o com um doce sussuro do género, “Good morning my Dear Love”, dentro do meu, mais sexy, baby doll e espero que apanhe uma valente intoxicação alimentar para apreender a arrumar as compras no sitio certo!!
Só falta meter o shampoo no frigorífico ou a Gillette na gaveta dos talheres! Sim, sim, porque nunca se sabe se não será necessário depilar algum bocado de chispe antes de o meter na panela! Mais vale prevenir do que remediar!!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Futebol

Hoje enquanto divagava pela minha Blog Roll descobri que a Pipoca é adepta do Benfica. Daquelas que tem o kit de sócia e tudo, (o que quer que isso seja!), que vai ao estádio, que aplaude quando o esférico entra na baliza, e suspeito que, também, chama nomes ao Sr. Arbitro quando este assinala fora de jogo contra o Benfica.

Eu cá sou daquelas que não percebe nada de futebol. E nem deseja perceber! No liceu, aquando as aulas de educação física, nunca era escolhida pelos capitães de equipa, os quais, na grande maioria das vezes eram as minhas amigas. A equipa que ficava comigo, por imposição do professor, recebia-me com bastante relutância e descontentamento.
- “Oh professor a Pipa não pode ficar no banco como sobresselente?!” – Retaliava a minha amiga Marlene sempre que, à sua revelia, eu calhava na sua equipa.
- “Vê lá se ao menos reconheces os membros da tua equipa e não passas a bola aos adversários!” – Alvitrava a minha amiga Sónia, irritada como se eu tivesse a culpa de a bola ter ido parar aos pés de um colega da equipa adversária!
Sentia-me rejeitada, magoada e até mesmo repudiada. Estes actos pouco louváveis das minhas inimigas em campo, (mas boas amigas para a vida), quase faziam de mim uma adolescente infeliz, problemática e traumatizada. (Por um triz, não me tornei numa meliante, minhas meninas! Ah pois é!) Reconheço que nunca tive o talento do Pantera Negra e é obvio que nunca ousei sonhar em algum dia ser galardoada com a Bota de Ouro e muito menos ter uma recepção calorosa dos meus fãs a desgrenharem-se e a lutarem por um autógrafo, qual Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Mas ao menos, deviam ter reconhecido o meu esforço como dissuasora de possíveis golos, sempre que chutava e acertava na canela de um adversário em vez de chutar na bola e o meu talento como comediante, quando acertava em rigorosamente nada, para além do ar, pondo os adversários e os colegas de equipa a gargalhar provocando a alegria e o bem-estar geral.
Bem, mas a verdade é que eu sempre achei o futebol uma grande seca! Excluindo, pois está claro!, o Europeu de 2004 quando o Scolari conseguiu contagiar os Portugueses com a esperança de sermos campeões Europeus. Eu não fui excepção, e confesso que nessa altura me tornei numa adepta fervorosa, histérica, com nervos e suores frios, cada vez que era altura da marcação de penaltys.

Contudo, esta minha natural indiferença pelo futebol transformou-se em algo maior. Apesar de não ser apreciadora do dito desporto nacional, detinha alguma simpatia pelo Sporting (o clube do coração do meu padrinho que me incutiu no espírito algum do seu amor à camisola). Mas, quis o destino que eu me torna-se na mais-que-tudo de um mais-que-tudo Sportinguista fervoroso, com antecedentes familiares facciosos e obsessivos e transformar esta minha pequeníssima simpatia em aversão a tudo o que é verde, tendo comportamentos anormais de repulsa, chegando a fazer figas para o Sporting perder e levar uma “cabazada” de pelo menos 6 a 0 seja qual for o adversário. Para eles o Sporting nunca merecia perder um jogo. Vitima das falcatruas dos adversários que fazem panelinhas com os árbitros, são sempre roubados e vigarizados! Todos os bons jogadores são “feitos” na academia do Sporting e depois vão-se embora. “Os mal-agradecidos! Os malandéresss!”. O Benfica devia passar para a 2.ª divisão e os benfiquistas que também são uns malandéressss, deviam de ter uma diarreia geral.
O meu padrinho e o meu mais-que-tudo que me perdoem mas realmente não há pachorra, para tão mau perder! E confesso, que ainda não percebi muito bem se amam assim tanto o Sporting ou se odeiam ainda mais o Benfica!

Bom, mas esta minha experiência com o futebol não se fica por uns toques mal dados e umas caneladas bem aviadas. E como acredito que tudo o que é repudiado e evitado nos acontece a dobrar, quis o destino uma vez mais que o futebol entrasse pela minha vida adentro. Quando aceitei aquele emprego de secretária, o tal onde os dias pareciam anos e os anos pareciam séculos, descobri que o presidente da empresa era também presidente de um clube de futebol da 1.ª divisão muito bem conotado com provas dadas e uma muito provável ascensão ao terceiro ou qui ça ao segundo lugar no campeonato.
Naquele marasmo vivido dia após dia, sem tarefas interessantes para executar, o futebol, os futebolistas, os treinadores e todas as controvérsias passaram a ser uma das minhas fontes de distracção. E bem divertida, por sinal!
Conheci uma mão cheia de craques, um pouco obtusos e limitados é verdade, mas alguns deles bem giros e todos com umas pernocas muito jeitosas! Que é o que interessa! Ora não fosse essa a principal razão das mulheres irem ao futebol!
Quase apertei a mão ao nosso menino-prodígio, não fosse ele a ter ocupada a pentear-se e a ajeitar a roupa amarrotada depois de levar um valente abraço do meu presidente.
Soube das transferências e das suas avultadas quantias em antemão e conheci o presidente do adversário mais odiado e apetecível dos Sportinguistas, que também não me apertou a mão, creio que por ser um homem muito ocupado! Ah e também não disse “boa tarde”. Acho que também por ser um homem muito ocupado! (E também um bocadito mal-educado! Não sei! Acho eu!!)
Enfim, foi uma experiência engraçada e como acredito que nada acontece por acaso, encontrei um substituto ao fastidioso Sporting.
E como dizia o meu ex-chefe: “A vida já nos dá muitos dissabores e problemas para nos chatearmos com algo que supostamente serve para nos divertir! Por isso quando o nosso clube está a perder trocamo-lo pelo que está a ganhar!”
Por isso: Viva o Braga! Viva! Viva!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Parabéns a mim e ao meu mais-que-tudo!


Parabéns a nós, pelos nossos 5 anos de namoro!
Tenho-me revelado uma pessoa muitoooo pacienteeee!! LOLLLL!!

Parabéns a mim!

Parabéns a mim mesma nesta data querida, muitas felicidades muitos anos de vida!!
Viva! Viva! Viva!
E ontem lá foi mais um a somar aos 30 acompanhada dos meus mais queridos e dos menos queridos, também!! Dizem as más línguas, especialmente as línguas invejosas, que agora é sempre a somar, que os vinte não mais voltarão e que a gravidade não mais nos largará!
Ora, tanto quanto sei nem os vinte, nem nenhuns! Mas, confesso que os trinta têm outro sabor! Qual receita exótica! Uma colher de sopa bem cheia de inteligência, (ao invés da pequenissima colher de chá), perspicácia quanto baste, tudo temperado com muita sedução e uma pitada de beleza a gosto!
Obviamente não me considero nenhuma Giselle Bundechen e muito menos uma Heidi Klum e muito, muito menos a Demi Moore, mas também não estou nada mal para uma comum mortal sem recauchutagem!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Parabéns a nós!

O passado dia 26 de Dezembro, há precisamente seis meses, virei mais uma página do livro da minha vida! Não foi uma página qualquer igual a tantas outras, esta foi talvez a mais importante de todas! Aquela em que se muda também de capitulo.Juntei todos os meus trapinhos, meti-os dentro da minha travel bag da Benetton, porque ainda não tenho rendimentos para uma Louis Vuitton, e parti em lua-de-mel nos braços do meu amor, no encalço de uma vida a dois com tudo a que isso tem de direito. Não passeámos de mão dada, pelos Jardins do Château de Versailles, nem tampouco tivemos um final de tarde escaldante, no topo do Empire State Building, daqueles que nos confundem os sentidos e nos invertem a rotação dos eixos, conforme tinha planeado e sonhado, como todas as noivas apaixonadas. Ao invés disso, passámos a nossa lua-de-mel numa aldeola tosca e gelada situada na Beira Baixa, algures entre Castelo Branco e a Serra da Estrela, que se chama Medelim. E desde já, informo que, apesar das semelhanças linguísticas com a célebre cidade Medellín na Colômbia, onde se situava o famoso cartel da droga, Pablo Escobar nada tem a ver com Medelim de Portugal. Medelim é uma aldeia pacata, no meio de nenhures, onde o acontecimento mais importante é a festa da Nossa Senhora do Calvário, que tem lugar no ultimo fim-de-semana de Agosto, e que por sinal é uma grande seca!

Depois de uma lua-de-mel pouco glamorosa, mas muito romântica, pusemo-nos a caminho, rumo ao nosso “ninho de amor”. Foi uma noite e tanto, aquela em que pela primeira vez, dormimos na nossa nova casa, no nosso novo quarto, na nossa nova cama e nos menos novos, e já usados, lençóis que a minha mãe me emprestou e que eram meio metro mais curtos que o colchão. Como se não bastasse o frio que passámos em Medelim, também a nossa casinha se revelou numa pequena filial de Yakutsk (a cidade mais fria do mundo). E não havia amor que conseguisse aumentar a temperatura! Os primeiros dias vividos na nossa nova casa foram longos, quase intermináveis, difíceis e espinhosos! Para além das saudades do convívio e do calor familiar, o frio era desolador, desesperante e até mesmo deselegante, fazendo de mim uma imitação rasca das bonecas matrafonas. Para além dos dois edredões que cobriam a nossa cama, por cima do pijama, ainda vestia uma camisola de lã de gola alta, robe e meias grossas, revelando-me numa noiva pouco sexy e atractiva.
Depois de uma pesquisa exaustiva e de compras infrutíferas de aquecedores, radiadores e outros que tais, chegámos à conclusão que o ideal seria um potente ar condicionado, que transformasse por completo as nossas vidas. Depois de várias visitas de técnicos especializados (diziam eles!), com opiniões bastante diferenciadas relativamente à potência da dita máquina, finalmente decidimos por um maquinão capaz de provocar o degelo no Pólo Norte. A partir desse dia, o sol nasceu para nós e fez-se primavera lá em casa! O meu querido deixou de ligar o secador para aquecer a casa de banho antes do seu duche matinal e nunca mais falou em dormir na garagem, que tinha uma temperatura notoriamente mais agradável que a nossa casa. Eu deixei de visualizar o meu próprio bafo, o meu nariz deixou de pingar e o seu tom rosado desapareceu. Viva a primavera! Viva!

Contudo, as nossas dificuldades pós-nupciais não se ficaram por aqui. Eu e a panela de pressão não nos entediamos de maneira nenhuma, até ela se revoltar e atirar com a canja de lá para fora, numa explosão ruidosa de massa e frango que se colaram aos azulejos e ao tecto. A máquina de lavar a roupa resolveu aproveitar o embalo e também ela manifestar o seu descontentamento expelindo toda a água que continha, inundando a minha magnífica cozinha. Isto tudo, só porque, ficou presa entre o óculo e a máquina, uma minúscula peça de roupa, que agora não vou divulgar qual! Muito sensível esta maquineta, não!?

Enfim, tivemos um começo de vida um tanto ao quanto atribulado. Contudo, a normalidade imperou e hoje vivemos dias de paz aliados a momentos de louca e avassaladora paixão, qual lua-de-mel prolongada. Ah!, tirando os dias em que nos chateamos porque o fulano está muito mal habituado e não quer participar nas lides domésticas! Mas essa parte fica para outras núpcias.

No final de contas, o que interessa, é que cada momento valeu e vale a pena. (Mesmo aqueles menos abençoados!) Estou a adorar esta nova fase da minha vida. Ou melhor, esta nova fase das nossas vidas! Espero e desejo, veemente, que esta história se prolongue até ao ultimo capitulo dos nossos livros e que termine daqui a noventa anos com um: “E foram felizes para sempre!” ou um “Até que a morte os separe!”.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Estou chocada com a notícia da morte do famoso, extravagante e exuberante Michael Jackson. Tive de me beliscar para acreditar!

Não apreciava a sua musica e achava-o detentor de uma personalidade fraca e auto-destrutiva, mas não esperava ouvir uma noticias destas! O homem tinha tudo para ser imortal!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Fim-de-semana de casório!

O calor abrasador fazia-se sentir nos seus imponentes 40 graus à sombra. As gotas de suor escorriam debaixo do meu modelito Prêt-à-Porter de lantejoulas muy sexy. A igreja estava à pinha com os amigos e familiares correspondentes a ambas as partes da parelha de pombinhos apaixonados e felizes.

E não, não foi o meu casamento caso estejam a pensar: “Esta filha da mãe casou-se e não nos convidou!” Foi o casamento da Inês. A minha prima emprestada, filha da minha madrinha e neta do meu padrinho.

Foi um casamento e peras! Há muito que não assistia a uma cerimónia tão bonita, apesar do calor sufocante dentro da pequena igreja de Flor da Rosa.

O copo de água, esse nem se fala! Foi excelente! Deu para o pessoal tirar a barriga da miséria com as divinais e suculentas iguarias alentejanas e apanhar umas valentes carraspanas.

Fiquei impressionada! Especialmente com o Johnny (o pai da noiva), com fama de forreta, que resolveu abrir os cordões à bolsa e não se poupar a nada!

– “ Ele vai pagar uma nota preta, filha!” – Sussurrou-me a minha querida tia Júlia, mulher do meu padrinho, avó da noiva, sogra do Johnny e uma das pessoas mais importantes da minha vida.

Estaria tudo perfeito e aprazível, não fosse a sentida ausência do meu querido padrinho, que nos deixou há onze anos, marido da minha tia Júlia, avô da Inês e também, em execquo com a minha tia Júlia, uma das pessoas mais importantes da minha vida.

No momento de cumprimentar os noivos ainda dei umas fungadelas ao pensar o quanto o meu padrinho ficaria feliz de ver aquela formosa noiva proprietária de uma boa parte do seu grande coração, a sair da igreja nos braços do seu recém-marido. Mas quando o Pedrocas (o irmão da noiva), falou das saudades que sentia do velho Gerardo Capão, aí não me consegui conter e desatei num pranto, que desde se fizera dia, estava entalado na minha garganta.

Contudo, estou segura que o meu padrinho esteve sempre presente naquele dia, ao lado dos que mais amava. Obviamente que não o vi! Não tive nenhuma alucinação e muito menos uma visão da sua aparição vestido de anjinho a esvoaçar sobre as nossas cabeças. Mas pude sentir todo o seu amor e amizade dentro do meu coração.

Viva os noivos! Viva!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Eu cá vou comprar!!





Finalmente, posso gabar-me de conhecer o norte do MEU país! Já não me vou sentir envergonhada nem culpada quando viajar para outra parte do globo. Vou poder fazê-lo de consciência tranquila, pois já conheço um pouquinho mais das minhas origens.

Passei quatro dias fabulosos no Lindoso com a exuberante Serra do Gerês e o Rio Lima como paisagem predominante e apenas á distância da abertura de uma janela. Até a companhia, (que para minha admiração!), foi totalmente agradável. Sem incluir o meu querido, que é sempre um prazer estar com ele, onde quer que seja.

Para além do Lindoso, passeámos por todo o Minho. Tomámos banho numa cascata de água gelada em plena Serra do Gerês onde quase congelei ossos, vimos cavalos selvagens, brindámos com o famoso vinho verde de Ponte de Lima, refrescamo-nos na praia fluvial de Arcos de Valdevez, comemos a posta mirandesa em Viana do Castelo e nem os nuestros hermanos Gallegos, escaparam às nossas investidas turísticas.

Quando se chega a Santiago de Compostela, compreende-se o porquê do orgulho galego na sua Capital. É uma cidade linda, composta por ruas e vielas que de tão antigas (mas muito bem conservadas!) pode-se sentir a presença e até o cheiro dos nossos antepassados.

Para além da história que encontramos em cada canto de cada viela, mercearia, café ou taberna, Santiago de Compostela é também uma cidade cosmopolita cheia de glamour, apetrechada de espanholitos giros!

Pronto está bem! Também existem algumas espanholitas engraçadas!
A sua Catedral é algo de cortar a respiração e é claro que, como verdadeira supersticiosa que sou, não deixei de rezar e beijar o manto do Apóstolo Santiago. O tal que é responsável por todo este frenesim a caminho de Compostela.

Contudo a minha cidade favorita foi Viana do Minho. Fiquei bastante admirada com toda a sua beleza e organização. Pensava que seria apenas mais uma cidadeseca com meia dúzia de mercearias rascas como comércio, mas afinal revelou-se numa cidade bastante aprazível, bonita, limpa e bem arranjada, repleta de lojinhas e restaurantes de muito bom gosto.

Já a Invicta foi a maior das decepções! Que me perdoem os tripeiros, mas aquela cidade já merecia umas boas obras! Para não falar da bendita Francesinha, que me deixou indisposta o resto do dia e que mais parece comer para “cámones”. Depois de uma deliciosa posta mirandesa a Francesinha foi a maior das desilusões!

Adorei cada momento vivido, especialmente aqueles em que viajava conduzida pelo meu querido enquanto contemplava-mos e absorvia-mos toda a beleza com que Deus nos presenteou.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Este foi o texto que enviei para o concurso da activa do mês passado, o qual, para minha grande infelicidade e desolação, não ganhei! Vai-se lá saber porquê!

Casamentos, nascimentos, baptizados e afins, sempre apetrechados de opulentas máquinas fotográficas que ao mais leve click, de um dedito indicador, disparam flashes ofuscantes e contínuos, que nos deixam zonzos.

- Agora são os pais do noivo! – Exclama o fotógrafo, que dirige o desfile composto por modelitos Prèt-à-porter, comprados com alguns meses de antecedência, algures entre a Zara e a Lanidor, com o propósito de surpreender e impressionar os restantes convivas, do sexo feminino, que se olham de esguelha para não darem nas vistas, ao mesmo tempo que cochicham acerca dos sapatos da mãe da noiva.

Quem não tem uma caixa de sapatos cheia deste exemplares fotográficos, guardados para a posterioridade!? Ou, e tendo em conta a inovação tecnológica, uma pen de 4 GB com a memória completamente preenchida!? Todos temos! E no meu caso, que tenho uma família enorme, não só tenho várias caixas, como álbuns e molduras espalhados por toda a casa. Ora, são festas de aniversários dos amigos, ora casamentos das primas, baptizados dos afilhados, concertos do Roberto Carlos no salão Preto e Prata do Casino do Estoril, entre outros acontecimentos sociais e familiares.

Mas e aqueles momentos, ditos normais? Aqueles que pela simplicidade marcam toda a diferença, já que a vida é feita de coisas simples.

Aqueles em que trocamos afectos e carinhos, com os nossos pais, filhos, maridos, irmãos, amigos, etc., e que raramente são captados, por uma câmara fotográfica, mas que são tão mais importantes que aqueles momentos de pose forçada!

Aquelas tardes de verão passadas na esplanada da geladaria onde partilhamos um delicioso gelado que nos deixa o contorno dos lábios da cor de chocolate e que só nos damos conta, quando o nosso mais-que-tudo, com um gesto romântico e amoroso, limpa esses pequenos resquícios adocicados, o que nos deixa ainda mais apaixonadas!

Ou ainda, quando o nosso cão faz uma pirueta seguida de duas cambalhotas só para chamar a nossa atenção!

Confesso que momentos destes, são poucos os que tenho registados na memória da minha pen ou nas molduras espalhadas pela minha casa.

Falta de tempo; esquecimento; a mala é pequena e já não cabe mais nada lá dentro! Talvez sejam boas justificações para não levar o MP3 ou o estojo da maquilhagem, mas nunca deverão ser utilizadas, em momento algum, para justificar a ausência de uma máquina fotográfica, porque cada momento é único e, infelizmente ou felizmente, qui çá, a vida não tem o botão de rewind como os comandos dos, já, obsoletos leitores de vídeo, ou dos actualíssimos DVD’s em que podemos escolher a faixa que gostaríamos de reviver!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ainda de ressaca!

Depois de um fim-de-semana, de convivência familiar ainda me sinto de ressaca.


Não é uma ressaca normal, daquelas em que abusamos da sangria de champagne francês (Champagne!? Francês?! Dizem eles! Porque pela dor de cabeça com que fico deve ser espumante do mais rasca que existe!), num desses restaurantes da moda, onde somos recebidos por umas meninas que costumam aparecer em poses insinuantes nas revistas cor-de-rosa e agora também, de maminhas ao léu abraçadinhas a coelhinhos peludos e fofinhos, na Playboy e que se intitulam de relações públicas dos ditos restaurantes.


Coitadinhos dos animalinhos! Para o que haveriam de estar guardados! Antigamente, só tinham de preocupar-se com os caçadores! Agora, também estas malucas para lhes dar cabo da vida! Essa é que é essa! E ninguém faz nada! A liga protectora dos animais deveria agir o quanto antes!


Bem, mas deixemos estas predadoras e as suas presas para outras núpcias e vamos ao que interessa.


Necessito, preciso e reclamo veemente o vosso ombro amigo para desabafar e expandir todas as pimbalhices que testemunhei e que feriram de forma violenta e irreversível o meu bom gosto sensível e caprichoso.


Tudo começou no sábado no baptizado da Inês. Dotada de uns lindos olhos azuis é a cara do pai, que por sinal é meu afilhado!


Admirados?! Sim, tenho um afilhado de vinte e poucos anos que já é pai. E não! Não fui madrinha aos nove anos de idade nem tão pouco, aos cinco.


No dia do baptizado deste príncipe do pimba, tinha eu vinte e poucos anos e ele era já um calmeirão de onze ou doze anos, com os pêlos do bigode a quererem florescer.


Ah!, e já olhava para as miúdas com ar de conquistador, valendo-se dos seus lindos olhos de lince.

Para apimentar toda esta novela, foi ele quem me escolheu para madrinha, o que me envaidecia não fosse um dos motivos ser bastante decadente e indecoroso.


Para além da amizade de longa data que existe entre as nossas famílias, o puto achava a futura madrinha, - e não esqueçamos o significado religioso de tal personagem -, passo a citar: “uma ganda boazona, gira comó caraças”.


Regressando ao magnifico baptizado, que teria sido realmente magnifico não fossem os convidados, assim como, alguns dos familiares da pequena Inês, serem do mais brejeiro que existe, ou pelo menos que eu tenha conhecimento.


Oriundos de um dos bairros mais simbolistas de Lisboa, que agora não vou mencionar o nome por uma questão de vida ou morte!, soltavam carvalhadas e orvalhadas a todo o momento, entre outras delicadezas só dignas dos verdadeiros bairristas. Daqueles que têm amor à camisola, e que participam nas marchas aquando dos Santos Populares e que andam à batatada, e tudo, para disputar o 1.º lugar do concurso, fazendo-me lembrar os adeptos do Benfica.


As indumentárias eram de bradar aos céus! Uns senhores, suspeito que os mais acalorados, levavam a camisa, de padrão caribenho e cores garridas, aberta até ao umbigo, onde se podia vislumbrar uma farta pelugem e donde sobressaia um pesado cordão de ouro a condizer com o cachucho do dedo mindinho.


As suas acompanhantes, cobertas com vestidos pindéricos de tecido de lycra rasca, totalmente aderentes ao corpo, - porque o que é bom é para se ver! -, eram a cereja no topo do bolo, provocando náuseas aos mais sensíveis, especialmente ao meu querido, habituado a um corpinho de sereia, sem qualquer vestígio de celulite. (Estou a brincar! Só estou a ser um bocadinho convencida, porque faz bem ao ego!)


Os mais jovens, adornados de cristas impregnadas de gel, vestidos com fatos dois tamanhos abaixo, confundiam-se entre si, não fossem as companheiras, que pelo número de tatuagens e pela cor do fio dental, que saía para fora das calças, marcar a diferença.


Todos eles rodopiavam felizes, pela pista de dança, ao som do “Ai Destino, Ai Destino,” do Sr. Tony Carreira e como não podia deixar de ser, do “Apita o Comboio”.


No meio disto tudo o que mais dói é o facto de o meu afilhado conseguir bater o record da pimbalhice, apesar do exemplo de simplicidade e elegância da madrinha!


O miúdo, para além de se vestir inconvenientemente, de usar crista, qual líder de tribo indígena, e ter os dedos cobertos de cachuchos, tem um vocabulário incompreensível. Uma mistura de crioulo, com sabe-se lá mais que dialecto. Tudo menos a língua portuguesa!
(Mas como saiu o tal acordo ortográfico, se calhar sou eu que estou demodé!)


Para acabar o fim-de-semana em grande, no Domingo à noite estava eu muito sossegadita, deitada confortavelmente no sofá, na companhia do meu querido, a tentar esquecer os momentos de desilusão vividos na véspera, enquanto desfrutávamos de uma sessão de zapping, quando, e para meu grande espanto, vejo um dos meus familiares, a ser entrevistado, por um conhecido apresentador.


Bem, até aqui não existia qualquer inconveniente. O rapaz até se estava a sair bem e com alguma graça, não fosse a sua última intervenção inspirada, provavelmente, em alguma reunião dos alcoólicos satisfeitos, que destruiu por completo a sua reputação, a qual me deixou bastante envergonhada.


Foi um pesadelo, esse momento vivido na presença do meu mais-que-tudo, que fez de mim o seu alvo de chacota até ao final da noite.


- Xiiii amor, aquele consegue ser mais bronco que os gajos do baptizado! – Este foi o seu último comentário antes de apagar a luz para dormirmos, (irritante! Não?!), ao qual tive de impor-me lembrando-o alguns dos cromos que compõem a sua família.


É verdade que fiquei deveras envergonhada pelos laços que me ligam a estes exemplares de mau gosto, mas pensando bem: “olha, que se lixe!”. Cada um é feliz à sua maneira e a vida é para ser vivida da melhor maneira que sabemos e que podemos!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A sós outra vez!


A minha convidada de 4 patas já regressou à base!

A sua partida, por vezes desejada, (não, não vou mentir!) especialmente de manhã, quando insistia em pular para cima da minha cama e lamber-me a cara, como que a dar os bons dias, deixou um vazio imenso não só no meu coração como nos 180 m.2 de área que compõem a minha casa.

Sinto a falta do seu patinhar barulhento no soalho; do som do rosnar quando algum vizinho passava perto da nossa porta e especialmente da sua companhia e das nossas conversas. Ou melhor dos meus monólogos enquanto ela escutava, atentamente, compreendendo tudo o que eu dizia.

Mas enfim, é a vida! E além disso não é mau de todo um pouco mais de sossego. Assim consigo compenetrar-me na minha escrita.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A revelação!

O medo e a vergonha de fracassar impediam-me de revelar a minha identidade, contudo as criticas foram muito positivas e deram-me o alento e a coragem que me faltava, não só, para escrever mais e melhor como também para revelar um pouco mais de mim.

E aqui estou eu, depois de uma noite mal dormida com todas as fossas nasais e outras cavidades, entupidas pelo pólen primaveril. Para ajudar à festa, a minha hóspede canina, a Niki, cujos pais foram de férias e a deixaram em casa da irmã, que por sinal sou eu, ainda não habituada ao novo espaço, ora ladrava, ora chorava, ora uivava, ora pulava e brincava, sem pregar olho. Ao cabo de várias digressões até à cozinha de chinelo em riste, (devo dizer que o meu chinelo é bastante fofinho! E sim, é para me desculpar!), acompanhado de ameaças pouco eficazes, tais como: “Já para a cama! É muito tarde! Menina feia e má! Levas uma chinelada”; o meu coração não resistiu aqueles olhinhos cor de mel suplicantes por um cantinho no meu quarto. Peguei na cama, na trela, nela e no escadote e, lá fomos para o quarto, onde o meu mais-que-tudo balbuciava algo do género: “Niki tás aqui tás a ir dormir para a garagem!”; sem que ela lhe passasse bilhete.

Pousei a sua caminha no chão em frente à minha e o escadote ao lado. Curiosos!? Ah pois é! Devem-se estar a questionar: Para quê a trela? E o escadote!? Que coisa mais esquisita! Será que a cadela sabe mudar lâmpadas?!

Pois bem, eu desfaço a vossa curiosidade! É que a Niki é uma cadelinha amorosa e fofy de dentes bem afiadinhos capazes de destruir qualquer coisa que esteja ao alcance das suas mandíbulas de Dobermann, e por isso, tem que dormir presa para não roer os, ainda raros, móveis, que temos, enquanto dormimos. Quanto ao escadote, é o único objecto móvel resistente às suas investidas incisivas.

Com isto tudo já passava da meia-noite quando finalmente apaguei a luz e ouvi o ultimo ganido da Niki, sobre a qual voou o meu chinelo calando-a instantaneamente.

Depois de toda esta azáfama noctívaga o sono esfumou-se e a insónia pousou sobre a minha cabeça. Reflecti sobre diversos assuntos e alinhavei alguns projectos. E claro, o meu blogesito não escapou aos meus planos. Decidi que deveria revelar a minha identidade, mas só QB!

Assim sendo, passo a apresentar-me: sou uma linda menina de 30 aninhos, que adora escrever e contemplar a lua. Sou apaixonada e comprometida com o meu mais-que-tudo. Adoro sapatos, malas, carteiras, e afins. Aliás como a grande maioria das mulheres!

O meu lema de vida é acreditar no melhor, esperar sempre o melhor e trabalhar para o melhor.

Tento sempre estar presente!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Kindle



Aqui há dias, no meu programa favorito, Oprha Winfrey Show, foi apresentado a ultima das inovações tecnológicas, a qual me deixou completamente estupefacta.


Chama-se Kindle e é nada mais, nada menos do que um aparelho com o formato de uma mini agenda onde podemos armazenar todos os livros, jornais, blogs e afins, que quisermos.

Para quem não sabe, e eu não sabia!, esta maquineta, pode albergar mais de 1500 e-books, cujo download é efectuado no site da amazon.com, directamente, através do dito gadget sem precisar de utilizar um computador.

- Fantastic! It’s Amazing! – Dizia a Ophra, já em êxtase.

Imagino a sua reacção se soubesse que 1 ano depois iria existir uma versão superior, do tamanho de uma folha A4 com uma capacidade de armazenagem de 4000 e-books, que por coincidência, ou não, foi lançado, no dia em que o seu programa foi emitido pela Sic Mulher, nunca esquecendo o delay de, pelo menos, 1 ano entre as emissões nos EUA e em Portugal.

Mas será assim tão, fantastic e amazing?! Então e todos aqueles livros que ocupam a minha estante dos quais tanto me orgulho de já ter lido? Aqueles que têm um monte de folhas de papel cheiinhas de letrinhas pequeninas?! Vão-se tornar objectos obsoletos sem qualquer valor monetário e até mesmo sentimental?!

Neste ponto, tenho de discordar da minha querida amiga que me acompanha noite após noite com o seu fantastic e amazing show.

Não gosto da possibilidade de um livro, seja ele qual for, vir a ser armazenado num cartão de memória do tamanho de uma chiclete e consequentemente substituído por uma geringonça electrónica.

Ler um livro é algo mais do que fixar a vista numa grande quantidade de letras miudinhas e clicar num botão para mudar a página! Ler um livro é poder viajar mais além e sonhar acordado, mas sempre com aquele peso nas nossas mãos, mesmo que por vezes se torne incómodo! É poder desfolhar cada folha e sentir o cheiro da sabedoria de outros tempos!

Melhor ainda, é poder sentir o cheiro de um livro acabadinho de sair da prateleira da livraria, onde esperava que alguém o levasse para casa e cuidasse dele como se fosse o único exemplar de uma obra ainda não revelada de Fernando Pessoa ou o manuscrito dos Lusíadas.

Este aparelho faz-me lembrar aquele cão electrónico que os Japoneses (Ou será que foram os chineses?! Já não sei! Estou confusa!), inventaram, e que agora não me lembro o nome. Podemos passear com ele, fazer festinhas e até ladrar, ele ladra! Mas não dá lambidelas quando estamos tristes, não nos aquece os pés no inverno e especialmente não nos dá amizade e amor que um seu congénere de carne e osso, dá.


Um aparelho destes é a mesma coisa que beber um batido de morango sem chantilly, ou comer um chocolate dietético. É bom. Não sabe mal. Mas não é estupidamente delicioso! Falta-lhe algo!

É verdade que o meu lado forreta e especialmente meu lado ambientalista me dizem que este aparelho não é algo totalmente disparatado. O preço de um e-book é bem mais em conta do que o de um livro tradicional. E com este aparelho, podemos poupar ao abate milhões de árvores, protegendo desta forma o nosso planeta, que já anda tão mal tratado.

Contudo, não considero estes factores suficientemente fortes para a substituição de um livro por um download! Podemos poupar as nossas árvores e afins, evitando outros produtos de papel que não os livros. Ou será apenas uma estúpida renitência minha face às novas tecnologias?!

Pois! Não sei! Também é verdade que não sou uma fervorosa adepta destes aparelhos de última geração. Ando com o mesmo telemóvel há mais de quatro anos e só mudo quando o dito tijolo, (que pesa como o caraças), se avariar. Não gosto de gastar dinheiro mal gasto! E só troco algo quando deixa de ter utilidade. Mas esta história fica para mais tarde.

Contudo, e após muita reflexão e análise, continuo a achar que um livro decora muito melhor qualquer estante do que uma geringonça prateada cheia de botões! Para não falar do ar intelectual que um livro dá a quem o passeia!

E eu, sempre gostei de intelectuais!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Com muito Pedigree!

Antes da Nokia entrar nas nossas vidas, uma cadelinha simpática, amorosa e inteligente, que a minha mãe adoptou e que de um momento para o outro se tornou no centro das atenções de todos lá em casa, surripiando-me esse lugar privilegiado, não conseguia compreender o amor e a amizade que se sente por um outro Ser que não fosse da minha raça.

A Nokia viveu connosco durante doze magníficos e inesquecíveis anos. Tivemos momentos memoráveis que jamais esqueceremos. Era a minha mana caçula, a filha adorada dos meus pais, a afilhada mais querida da minha amiga, a sobrinha favorita das minhas tias e a vizinha mais simpática e conhecida no bairro.

Célebre pelos seus dotes futebolísticos como guarda-redes, apanhava de um pulo só, a sua pequena bola esvoaçante, fazendo inveja a alguns dos seus congéneres de profissão da selecção nacional.

Este novo membro, que a meu ver, não passava de um bebé com a diferença de este ser um bebé peludo, de quatro patas e em vez de palrar, latia e abanava o rabo, tinha as mesma regalias que nós. Ia de férias connosco, aquando o inverno passava os dias à lareira, e pelo verão passava os fins-de-semana na casa de praia, deitada à beira da piscina com os bigodes a tocar na água. Tinha uma cama em cada casa e dividia o mesmo quarto que eu, apesar dos meus protestos face ao seu ronco e aos seus gases fedorentos lançados a meio da noite, depois de um belo repasto de ração Eukanuba sabor a galinha.

Esta nossa verdadeira e fiel amiguinha deixou-nos há três anos. Foi sem dúvida o dia mais triste e doloroso da minha vida, aquele em que com ela ao colo, embrulhada num cobertor, me dirigi, juntamente com a minha mãe e a minha amiga, ao centro veterinário onde a adormecemos para sempre.

Nunca pensei que algum dia teria de tomar uma decisão tão difícil, mas a sua saúde estava tão deteriorada que a outra opção era vê-la sofrer. E pior ainda, corríamos o sério risco de ela morrer sozinha abandonada no silêncio da noite sem um único amigo para a abraçar e segurar na patinha enquanto dava o último suspiro. E isso jamais poderia acontecer!

Para ela a nossa amizade era extremamente preciosa e deixá-la sozinha nos últimos dias, horas, minutos ou segundos de vida seria considerado uma traição ao mais alto nível, pois ela nunca nos deixou nem por um único segundo que fosse.

Depois desta perda tão preciosa, os nossos corações fecharam-se num luto doloroso e indecifrável para os mais descrentes na espécie e prometemos nunca mais adoptar outro Ser meigo e amoroso como a Nokia.

Que estupidez a nossa! Como é que alguém no seu perfeito juízo pode renunciar a uma amizade tão digna e verdadeira como a amizade de um cão? Só quem nunca observou com atenção o olhar meigo e atento de um! Só quem nunca recebeu uma valente lambidela, com cheiro a ração, que nos molha até o mais recôndito dos poros e nos purifica a alma! Só quem nunca sentiu a fresquidão que uma cauda bem peluda a abanar, em alta rotação, proporciona! Enfim, só quem nunca conheceu o valor da verdadeira amizade!

Três anos após a sua morte a dor apaziguou e cada animal abandonado na rua era uma tentação. As visitas às lojas de animais passaram a ser uma rotina diária. Observar aquelas criaturinhas pequeninas a brincar era o maior dos prazeres. Mas a coragem de levar uma para casa faltava-nos. O medo da perda continuava a pairar sobre nós!

Até ao dia em que apareceu lá em casa uma bolinha de pêlo branco com não mais do que 20 centímetros de cumprimento e 250 gramas de peso, a tremelicar de frio, a quem baptizamos de Googie, mas a qual tivemos que rebaptizar, umas semanas mais tarde, pois a pequena não se dava pelo nome.

E desta forma, a Niki entrou nas nossas vidas. Uma cachorrinha traquina e brincalhona de ar frágil mas de personalidade forte que adora morder e destruir tudo o que apanha e que mais parece um elástico de tanto pular.

Nunca pensei que um animal, que não fosse selvagem e, obviamente, que não fosse o Marley do John Grogan, pudesse ser capaz de provocar o caos e a destruição.

Há uns anos, quando li o livro do John Grogan, um dos meus livros favoritos, senão mesmo O FAVORITO, dei por mim, muitas vezes a gargalhar que nem uma doida, (é bem verdade que também verti muitas lágrimas num pranto violento em que, seguramente, não parecia menos doida), com as peripécias do Marley onde revi a Nokia, que tal como ele adorava passear com a nossa roupa interior pela casa, especialmente quando tínhamos convidados. Contudo, nunca teve aquele comportamento, impulsivo e obsessivamente destruidor, como o Marley. E nunca pensei que mais algum animal o tivesse, até a Niki, a cadelinha mimosa que acolhemos na nossa casa com apenas um mês e meio de vida revelar-se no mais selvático dos seres

Em termos proporcionais, e tendo em conta os seus leves 3 Kilos, é bem pior que o Marley. Nada escapa à sua boca cheia de dentes bem afiados. Desde os cabos dos computadores que já foram substituídos duas vezes; aos tapetes orientais da minha mãe, que já perderam mais de dois quilos de fios de lã; um sem número de meias e camisolas esburacadas; sapatos, revistas e livros roídos; bocados de madeira arrancados, oriundos sabe-se lá de que móvel, entre outras patifarias, as quais já perdi a conta.

Uma verdadeira terrorista canina, de narizinho preto em formato de coração, de olhar atrevido e de semblante feliz, que adoramos e que, obviamente, já se tornou no mais novo membro da família.

Sabemos que um dia também ela partirá das nossas vidas e que nos deixará um vazio enorme impossível de preencher. Mas enquanto estiver connosco terá o seu lugar reservado no nosso coração e nas nossas vidas, tal como qualquer outro membro da família.

Em memória da minha Nokia. A cadelinha mais inteligente e meiga do mundo.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Já estava na hora de ter coragem!

Quando comecei no meu antigo emprego, a ociosidade imperava os meus dias, qual Rainha no seu reinado.

Aquelas horas ali vividas eram um verdadeiro martírio!

Vinha habituada ao ritmo alucinante da banca de investimentos, onde tudo acontece ao mesmo tempo sem se fazer anunciar. Contudo, o ritmo, ali naquele novo espaço, era lento, vagaroso, viscoso, pegajoso …

Não existiam tarefas a executar, relatórios a concluir, e-mails a enviar nem prazos a cumprir, a não ser atender os telefonemas do meu chefe, de duas em duas horas, para verificar se eu já tinha desistido de tal penitência ou se por ventura me tinha deixado levar pela lei da gravidade e deixado pender a cabeça no sono dos justos. Aliás, neste caso, seria mais o sono dos quase alienados.

Os dias passavam lenta e impiedosamente. Estar oito horas fechada num gabinete sem ter nada que fazer e ainda por cima sem poder dormir umas sestas era torturante, depressivo e desolador.

Tenho a certeza que durante estes meses, paguei todos os pecados cometidos e os que virei a cometer para o resto da minha vida.

Contudo, e como eu sempre acreditei, que nada acontece por acaso, estes momentos de ócio deram-me a oportunidade de descobrir algo que nunca pensei gostar e especialmente ser capaz de fazer.

Tudo começou com a leitura incessante de livros dos mais variados temas. Uns mais interessantes do que outros e uns menos óbvios do que outros. Do romance à ciência nada me parava.

Lia com a intenção de não adormecer e especialmente para não dar de vez em maluca. Os Currículos enviados não surtiam o efeito desejado e já não existiam novos mares por navegar entre os oceanos Google, Hotmail e Sapo, no imenso planeta Internet.

Até ao dia em que em vez de ler, tentei escrever. E não é que gostei! E cá para nós; até acho que não me saí nada mal!

Confesso que escrever nem sempre fora o meu forte! No liceu nunca fui boa aluna a português. Achava toda aquela história de rimas, decassílabas, estrofes e afins, uma seca.

Quando entrei na universidade as línguas nunca foram o meu forte, apesar de entrar para um curso de vertente linguística. Era um zero à esquerda!

Mas este bendito e sonolento emprego salvou-me da ignorância e deu-me a oportunidade de aprimorar o meu vocabulário que até à data se baseava numa linguagem bastante técnica, de onde sobressaíam uns estrangeirismos muito pomposos, memorizados à pressa para impressionar os clientes com o meu profissionalismo, entre os quais destaco os meus favoritos: “acquisitions, private banking, asset management e afins".

Actualmente, já não me encontro naquele lento e moroso emprego. Tenho um novo trabalho que adoro e onde, felizmente, não tenho muito tempo para escrever!

Agora, só dou asas à minha imaginação no silêncio dos meus serões, com o meu edredão como único companheiro, amigo e ouvinte, até à chegada tardia mas muito apelativa do meu companheiro, amigo e ouvinte de carne e osso.

A insegurança, a vergonha e o medo de fracassar impediam-me de partilhar esta experiência de escrever e de expor a minha intimidade. Sim, porque a meu ver, não existe nada de mais intimo do que os nossos pensamentos. Que nos identificam, que nos individualizam e que nos espelham!

Contudo, depois de pesquisar alguns blogs ganhei coragem e aqui estou eu!

Apesar de não me identificar, e de não divulgar o nome do meu blog a todos, (incluindo pessoas muito especiais), pois seria um passo muito mais além daquele que, neste momento, estou disposta a dar, tenho a certeza que algumas pessoas, (especialmente a minha amiga do coração), vão-me reconhecer!

Se a imaginação não me faltar, e desejo veemente que não, escreverei algo que esperarei ser interessante, divertido e apetecível.

Até lá.