Há muito que não desejava tanto um fim-de-semana como este. Preciso de
descansar, dormir e curar este início de constipação que se avizinha. Vou meter
as pernas a caminho do meu lugar de eleição e dar muitos miminhos ao meu
amorzinho pequenino e receber outras tantos do meu amor grande. Matar as
saudades e carregar baterias para mais uma semana que se adivinha cheia de
saudades, sem ele ao meu lado todas as noites.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Coisas do Sr Di, meu rebento.
Ontem o meu Di estreou-se no
Circo. A educadora diz que nunca largou o seu ar muito sério e observador,
nunca tirou os olhos do leão que estava no topo da arena, (não fosse dar-lhe a
travadinha e ter que ser ele a domá-lo com o seu rugido e com a mãozinha canina
em riste: dah, dah, dah… Sim, tenho para mim que o meu filho seria capaz de amedrontar
a fera mais perigosa do planeta e com um simples “dah, dah, dah” meter-lhe o
rabinho entre as pernas) , e não achou muita graça quando o palhaço atirou com
uma mão cheia de pipocas para cima dos coleguinhas que estavam ao lado dele.
Coisas do meu Di que não dá confiança a mal vestidos.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
O meu grande amor pequenino
Com o meu filho obtive o maior dos ensinamentos da vida. Não
importa a raça, mãe é mãe! Protege, luta, acarinha, castiga, defende, mima,
tudo em prole deste amor incondicional que vai para além do Além.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Momentos da coisinha mais fofita de su mamacita.
Ontem depois do jantar o meu Di resolveu investir sobre os
presentes de Natal que se encontravam debaixo da árvore de Natal.
- Não mexe filho – disse-lhe.
- Dah, dah, dah – respondeu-me chateado de mão em riste a
apontar para os ditos presentes.
- Olha mãe o Di já rasgou o papel do embrulho de um deles, por
isso se já não é surpresa, já pode abrir. Não é putinho? – Disse o avô
conivente com a malandragem.
- Não, não é. Se faz favor arruma o presente onde estava senhor Di –
insisti.
- Nã, nã, nã – respondeu-me.
- A mamã está a dizer para arrumar –ralhei.
- Deixa putinho, esse cão é um rafeiro muito feio – disse o
avô a referir-se ao Pluto que já tinha o focinho todo de fora do papel colorido.
No Natal o avô embrulha a Nini (a nossa cadela de carne e pêlo) e oferece-ta. É
muito mais gira. Até faz chichi e tudo. Deixa não ligues a esse rafeiro feio.
E eu posso lá com estes dois pestinhas? LOL
Família = Amor
Adoro as noites em que nos juntamos, em que nos sentamos
para partilhar alegrias e amor, em que me reúno com os meus com aqueles que
nunca me falharam e que nunca nos desampararão, aqueles que amo e que me amam. Os
meus pais, avós galinha do meu filho. Os que me adoram os que amam de todo o
coração o meu bebé pequenino, mais fofinho do mundo. Os avós mais queridos do meu
filho, aqueles o fazem chorar quando nos dizem até amanhã e mesmo que seja
apenas um par de horas de ausência, são o suficiente para já termos imensas
saudades e vontade de estar com eles de novo.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
O nosso trio
Ontem
à noite o trio completou-se. Fico sempre tão feliz com o nosso reencontro, tão
desejado desde o momento da despedida. Por momentos esquecemos as saudades dolorosas
que nos magoam o coração e que fazem os nossos dias mais cinzentos, rezamos
para que o tempo se arraste e os dias se prolonguem por tempo indefinido. Nos próximos
dias, esquecemos que estas saudades se repetirão para a semana, para a outra,
para a outra e para a outra também. Deixa cá ver, ah e para a outra também, e
para a outra… até sei lá quando. O que nos vale são estes momentos juntos de partilha
de carinhos, de amor e de afectos. Felizes, como só nós os três o somos.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Coisinha mais fofinha de su mamacita
O meu Di é um docinho. Meiguinho, simpático, como ele só e beijoqueiro como
a mãe, enfim uma infindável porção de características adoráveis que me deixam
derretida e orgulhosa deste biscoito mais fofinho do meu mundo. Mas quando o
rapaz pequeno sai dos eixos e se transforma num pequeno rebelde, que Deus me
acuda e me dê muuuuita paciência.
Ontem no Shopping depois de o sentar em todos os carrinhos
eléctricos que lhe apeteceu por mais de meia hora, fez a maior birra alguma vez
vista na história da humanidade infantil, quando lhe disse que já chegava
porque estava na hora de irmos papar. Chorou, gritou, “nã, nã, nã…”, esbracejou,
bateu-me, mordeu-me, deitou-se no chão, arrastou-se pelo chão. Uma vergonha,
isso sim. Os olhares reprovadores de quem passava deixavam-me sem saber o que
fazer com aquele pestinha. Com vontade de enfiar a minha cabeça dentro de um
saco preto, peguei-lhe ao colo e levei-o a esbracejar até ao carro.
- “Má, má, má…” Chamava-me aquela minorca de palmo e meio.
- “A mamã não é má tu é que te estás a portar muito mal. Isso
sim.” – Respondi-lhe evitando vociferar “mau és tu, meu pestinha”. Li num livro
que não se deve chamar más às crianças, ficam traumatizadas e quem sabe,
capazes de se transformarem em verdadeiros delinquentes juvenis. Enfim, nada
melhor do que prevenir.
Quando o sentei no carro:
– “Mãim, mãim, mãim.” –
Chamou-me, agarrou-me o rosto com as suas mãozinhas pequeninas e beijou-me.
- Gostas da mamã?
- Tim. (tradução: Sim)
- A mãe está triste contigo.
- Tim.
- Portas-te bem?
- Tim
Ohh pá e lá existe coração que aguente uma fofura destas sem
se derreter?!
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
"Todos temos dentro de nós uma insuspeita reserva de força que emerge quando a vida nos põe à prova."
Isabel Allende in A Ilha Debaixo do Mar
Isabel Allende nunca me deixa indiferente.
Aprendo sempre algo com as suas protagonistas. Mulheres fortes e destemidas que
enfrentam as vicissitudes da vida com a coragem só pertencente aos audazes.
Mães guerreiras, amantes fervorosas, mulheres sonhadoras, donas de casa sábias.
Não fosse Isabel Allende, também uma lutadora, guerreira e sobrevivente.
Sobreviveu a uma ditadura, e pior do que qualquer ditadura ou holocausto,
sobreviveu à morte de uma filha. Admiro-a pela escrita, pela força e pela
doçura. Já o disse e volto a repetir, é-me impensável sobreviver ao meu filho,
sou incapaz de me visualizar sendo uma mãe órfã, por isso admiro as mães que
enfrentam tamanha perda com a doçura da sabedoria.
Penso sempre nas mães dos filhos
que se perdem para Deus e dos que se perdem na vida. Visto-lhes a pele e
sinto-lhes o sofrimento, choro por elas e pelas sua inestimáveis perdas.
Acredito que a nossa existência não se fica por aqui. Acredito que somos seres
essencialmente espirituais e que um dia nos encontraremos com os nossos amores
e desamores numa outra dimensão, que está para além da nossa imaginação, mas prefiro
ser eu a esperar pelo meu bem mais precioso nesse tal lugar que nunca ninguém
viu, não vá o diabo tecê-las e sermos apenas uns bonecos articulados nas mãos
de Alguém. Até lá, o que eu quero mesmo é que as minhas cordas se articulem com
as cordas dos meus, e preferencialmente com as suas cordas, as do meu filho, e
viver cada dia na sua companhia.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Nunca fiz nenhum feito extraordinário digno de
comentários alheios, nem tão pouco de manchete no telejornal das oito. Em miúda
nunca fui popular, nunca fui a mais bonita da escola, nem a mais inteligente da
turma. Quando tirei dezassete no exame final de história fui alvo de
contestação por parte dos meus colegas detentores de um QI superior ao meu.
Diziam eles e acreditava eu.
Em adulta desesperei para arranjar um namorado.
Nenhum homem gosta de um pau de virar tripas. Pensava, quando via no espelho a
minha figura esguia donde sobressaía um rosto, pequeno, não tão feio assim,
quase coberto por um emaranhado de cabelos que andavam por ali à solta, em desalinho,
tal como a minha vida, até ao dia…
Todos estamos aqui por alguma razão. Tudo tem uma
razão de existir. Cabe a cada um de nós procurar a nossa verdade. – Até ao dia…
Até ao dia em que certa noite li num dos meus
livros de auto-ajuda, que costumava ler sem convicção, estas frases feitas,
lidas e relidas centenas, senão milhares de vezes. Naquela noite, ligaram um
qualquer circuito que por defeito não veio ligado à nascença, ou foi desligado
pela mão da minha infância traiçoeira.
Não sou nenhuma heroína; nunca salvei ninguém de
morrer afogado. Não elevo ao apogeu milhares de fã; não sou cantora rock. Nunca
ganhei nenhum prémio, nem tão-pouco fui condecorada por feitos transcendentes. É
no dia-a-dia que me supero, quando retribuo amor, amizade e atenção. Supero-me,
quando digo “amo-te” à pessoa amada e às que não são amadas. Supero-me, quando preparo uma tarte para o meu amado.
Supero-me, quando chego a casa extenuada e é com prazer que brinco às
escondidas com o meu maior amor. Supero-me, quando me comovo a ver um filme e
choro qual Madalena arrependida. Supero-me, quando me olho no espelho e aprecio
o que vejo. Supero-me quando perdoo quem me
ofende.
Todos os dias contemplo a minha, a nossa, e a vossa
vida. Todos os dias dou, retribuo e agradeço, as pequenas coisas que fazem da
minha vida uma grande existência.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
14.º Campeonato de Escrita Criativa – 4.º Desafio
Detesto faltar aos meus compromissos. Quando me proponho a
fazer algo honro sempre a minha palavra. Detesto chegar atrasada, chego mesmo a
sentir calafrios e não aceito desculpas para não cumprir o prometido. Apreendi da
maneira mais dura a respeitar os meus compromissos quando na universidade fui
impedida de apresentar um trabalho por ter chegado atrasada.
Antes não tinha a noção de como isso incomodava os outros, de
como abusava de um dos mais importantes direitos consagrados a cada Ser Humano,
o tempo. O tempo dos outros e o nosso tempo. O tempo é um privilégio que deve
ser disponibilizado por cada um, conforme lhe apetece e por isso não temos o
direito de privar outrem do seu tempo.
Infelizmente, (e só de pensar fico doente) esta semana não
tive qualquer hipótese de cumprir com a minha participação no concurso de
escrita. O meu Di, ficou doente a meio da semana, não foi à escola, e com ele
por perto, sempre a solicitar atenções e miminhos torna-se impossível a minha
concentração para escrever.
Tentei escrever algo no Sábado, mas não consegui. O cansaço
falou mais alto e acabei por desistir. Preferi não entregar nada, a entregar
algo sem qualidade. No entanto, aqui ficam algumas linhas do que escrevi para o
desafio da semana.
Em que é que a expressão “uma ventania de riso” o faz pensar?
Todas as manhãs, só de pensar que tinha de passar naquele
corredor sentia náuseas, o suor escorria-me dentro da camisola, revolviam-se-me
as entranhas.
Os gritos e as risadas de escárino daqueles miúdos crueis
enquanto percorria aquele maldito corredor em direcção à minha sala de aula
eram como murros na barriga. Desde cedo aprendi o quão difícil é ser-se feia e
gorda.
Aquela ventania de riso actuava em mim como um ciclone de
raiva e ódio. Sentia-me pequenina, insignificante e diminuta, exactamente o oposto
da minha aparência grande e sebenta. - Olha a gorda! – Era a mais amistosa
saudação que podia ouvir. Creio que Jesus não ouviu tantos insultos enquanto
percorria o caminho que o levava ao calvário, como eu, quando percorria aquele
tunel de obscenidades. Ok. Jesus não sofria do mais desprezivel dos defeitos. Não
era gordo e até há quem diga que era um Tipo bem-apessoado!
Mas o pior disto tudo,
nem era o facto de ser a gorda da corte, ou o bode expiatório para todas as
maleitas e problemas do liceu. Nem mesmo os gestos obscenos e a dor física dos
pontapés infligidos me feriam como a minha cumplicidade. A minha vontade de ser
aceite por aquele grupo, obrigava-me a gargalhar a cada pontapé infligido e a
sorrir a cada apalpão dolorosamente ordinário. Fingia que não me importava e
que até gostava de ser apelidada de gorda, sorria com as obscenidades gritadas
por bocas que ainda não conheciam o seu significado. Magoava-me, feria-me no
mais profundo do meu âmago só para pertencer aquela
tribo. Só para ser aceite. Afinal, é o que todos queremos, pertencer a algo, a
alguém, ter raízes.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
14.º Campeonato de Escrita Criativa – 3.ª Desafio
Como
seriam as férias perfeitas?
Estou numa sala enorme de formato oval e estilo colonial, com
um pé direito de perder de vista, cujas paredes forradas de estantes estão
repletas de belos originais de magníficas obras lidas por muitos mas tocadas
por poucos. Subo o escadote de acesso a uma das estantes e deparo-me com “O Crime de Lord Arthur Saville”. Nem
quero acreditar que tenho na mão um manuscrito de Oscar Wilde! – Meu Deus que
privilégio! – Penso atordoada, com o que os meus olhos vislumbravam. Um pouco
mais ao lado chama-me a atenção um outro livro que pego com cuidado. A capa amarelada
que denuncia a sua antiguidade tem como titulo “Os Lusíadas”. A primeira edição
da obra.
Enquanto
desço o escadote até chão firme, reparo nas portadas de acesso ao terraço donde
sobressai o chão de madeira brilhante de tão encerado. Saio lá para fora e sou
abocanhada pelo cheiro intenso a maresia. À minha frente, uma baia de águas
mansas azul-turquesa e areia dourada. Oiço umas gargalhas que me despertam do
entorpecimento em que me encontro. Desvio o olhar para a outra ponta e vejo uma
criança e um homem a correrem sobre o manto de areia fina. É o meu filho e o
meu marido. Parecem-me felizes. Chamo-os mas não me ouvem. Estão entretidos nas
brincadeiras.
-Bom
dia. – Sou interrompida por uma mulher negra, descalça, que segura uma toalha
branca.
-
Bom dia. – Respondo, surpreendida enquanto lhe aprecio os pés muito bem
desenhados de calcanhares hidratados.
-
Está na hora da massagem. – Diz sorridente.
-
Onde estou? – Pergunto-lhe.
-
Está a gozar as suas férias de sonho. – Responde-me com o mesmo sorriso donde
sobressaem os dentes brancos que fazem pendant
com ao toalha.
Aponta
para uma marquesa sofisticada, onde me deito de barriga para baixo. Coça-me as
costas e a cabeça com as pontas dos dedos até que eu adormeça. Alguém a informou
que são os meus pontos fracos.
Acordo
e percorro o resto da casa, oiço de novo o riso contagiante do meu filho.
Lanço-me no seu encalce. Entro numa sala adornada por uma mesa repleta de iguarias
deliciosas e sento-me ao seu lado. Empanturramo-nos descontraidamente enquanto
partilhamos as nossas vivências na ilha de Richard Branson.
-
Que tal estão a ser as vossas férias de sonho? – Somos interrompidos por um
homem de barba. É ele, o dono da ilha.
-
Inesquecíveis.- Respondemos em uníssono.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
14.º Campeonato de Escrita Criativa - 2.º Desafio
Escreva
uma carta ao seu brinquedo favorito.
Olá amiguinho,
Vieste antes do tempo sem data nem hora marcada. Ocupaste o teu
lugar sem avisar, apareceste assim do nada. Usurpaste-me os planos, as viagens,
os serões, as leituras, o tempo, esse bem precioso, que despendia conforme me
apetecesse, sem horários nem urgências. Com a destreza e a coragem, que tão bem
caracterizam a tua personalidade, tornaste-te no centro do meu mundo, e auto-nomeaste-te
o meu “brinquedo” favorito. Um brinquedo muito real, que chora, que come, que
faz xixi e cocó, que adora os meus miminhos, que me rodeia o pescoço num abraço
apertado e que me encharca o rosto com beijos deliciosos e dentadinhas
dolorosamente prazerosas.
Dono do sorriso mais lindo e da gargalhada mais viciante do
mundo, és tu o despertador das minhas manhãs, o senhor dos meus dias, a estrela
das minhas noites, o meu “brinquedo” vivo de carne e osso que atrai toda a
minha atenção, lealdade e amor. Acompanhar a tua aprendizagem, partilhar cada
nova vivência, cada gracinha, cada traquinice é o meu passatempo favorito.
Deixei as leituras e as séries do Fox Life, para próximas núpcias. Contemplar-te
dá-me infinitamente mais gozo.
Quero que saibas que és o melhor “brinquedo” que alguma vez recebi.
És infinitamente melhor do que a mansão da Barbie que recebi pelo Natal de 84
ou que a viagem a Nova Iorque em 2007.
És único, és o meu filho querido, és o melhor que a vida me deu.
Amo-te
Um chi-coração da mamã.
14.º Campeonato de Escrita Criativa - 1.º Desafio
Imagine e descreva como seria o dia mais estranho que poderia viver no seu
local de trabalho.
Assim que passo a porta noto a sua ausência.
O que lhe terá acontecido? – Penso. - Nunca se atrasou,
sequer um minuto, durante todos estes anos!
A sua cadeira vazia, é engolida por um silêncio sepulcral. Sinto-lhe
a falta. Não tenho ninguém a quem dizer bom dia, nem tão pouco com quem dividir o meu silêncio. Onde está aquela voz rouca
que esporadicamente se ouve, a não ser para expelir ordens arrogantes? Que faz perguntas
para as quais só ela tem as respostas e que não se cansa de trautear canções irritantes
que se misturam com o som dos teclados.
Sento-me no meu lugar de onde vislumbro a sua secretária
arrumada e organizada, na qual aparentemente costuma reinar o caos e a confusão,
mas onde tudo tem uma ordem só compreensível ao seu senhorio.
Sinto-me confusa, por esta altura já tinha ouvido o seu
pigarrear irritante pelo menos dez vezes. Havia dias em que o seu esforço
constante em clarificar a voz irritava-me. Hoje, estranhamente, sinto-lhe a
falta!
- Sabes alguma coisa do chefe? – Pergunto ao meu colega que
acaba de chegar.
- Não, porquê, ainda não chegou? – Questiona admirado. – Deve
estar para cair algum santo do altar! – Exclama divertido.
- Parvalhão. – Pensei, sem responder enquanto ligava o computador.
Bem sei que não é uma pessoa de fácil trato. Rígido,
arrogante, taciturno, autoritário. Mas gosto dele! Sempre gostei!
A meio da manhã recebo um enorme ramo de flores, com um bilhete,
que diz:
- Bom dia, foi um prazer conhece-la e trabalhar consigo. Devo-lhe
dizer que desde que aconteceu a revolução dos cravos, que deixou este país de pantanas
e especialmente os jovens de cabeças às avessas, a Ana foi a minha melhor
aprendiz. Desde já nomeio-a minha substituta. Está apta a tomar as rédeas e pôr
essa gente na ordem. Da minha parte, vou gozar os restantes dias que ainda
tenho de boa saúde ao lado da minha companheira de há mais de sessenta anos.
Aquela que sempre me apoiou e que sempre tolerou o meu mau feitio. Já estou
velho para correrias, os meus setenta e oito anos já me pesam.
Uma última ordem: apaixone-se, senão vai acabar ranzinza como
eu.
PS: Partilhar
do seu silêncio foi um enorme privilégio.
14.º Campeonato de Escrita Criativa com Pedro Chagas Freitas
Resolvi que, se calhar, seria uma boa ideia. Pus o medo da
rejeição de parte e atirei-me de cabeça. Vamos lá ver no que vai dar! Já diz o
velho ditado, que quem não arrisca não petisca.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Ontem
enquanto aguardava pelo talão referente a um pagamento, irrompe pela loja
adentro uma mulher com duas crianças. Uma menina que passeava a alta velocidade
um carrinho de bonecas e um menino que corria em círculos. Ambos falavam muito
alto.
A
mulher dirigiu-se ao balcão e disse que queria ter uma conversa privada com a
empregada. De repente, sem aviso prévio, e ainda estando eu presente, começou
com um discurso nervoso e atabalhoado.
Na casa dos trintas e muitos ou quarentas e poucos anos esta senhora elegante, de cabelo negro e com evidente formação superior estava completamente transtornada. O filho de 14 anos tinha ido viver com o pai em troca de uma bicicleta. Ela estava revoltadíssima porque tinha sido despedida da empresa onde trabalhava por ter ficado grávida e até já se tinha sujeitado a um trabalho intelectualmente inferior para poder criar os filhos condignamente. O contrato findou e veio de novo para o desemprego. Como vingança, e forma de lavar a alma, propôs-se a difamar a empresa que a tinha despedido ilegalmente. Agora, anda de loja em loja, em todos os centros comerciais, onde esta empresa está presente e pede para que ninguém consuma produtos da respectiva marca.
Saí daquela loja com o coração magoado, pude sentir-lhe o sofrimento e a doença que se tinha apoderado do seu corpo e do seu espirito. Aquela mulher exalava ódio, rancor, raiva, mágoa, uma miscelânea de sentimentos negativos que a deprimiam e a arrasavam. Era contagiante aquele seu estado de alma.
á diz o velho ditado que não é com vinagre que se apanham moscas. Não é enviando ódio e raiva que recebemos amor e afecto.
A grande maioria das pessoas concentra de maneira errada a sua energia. Focam-se no que não têm, no que gostariam de ter, naquilo que os outros têm. Na raiva, na inveja, na vingança. Acredito que aquilo em que nos focamos é o que recebemos de volta, qual boomerang. Mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra, recebemos o troco.
Perder um filho, seja de que forma for, deve ser realmente de uma dor indiscritível. - Nem quero pensar nisso. Sou incapaz de me meter no lugar de uma mãe “órfã”. - Mas acredito que o amor fala mais alto que qualquer bicicleta ou Ferrari, e, quanto a mim esta senhora só está a perder o tempo que deveria empregar em amor, carinho e atenção consigo mesma, e especialmente, com os filhos que infelizmente absorvem toda a sua negatividade. Não é desta forma que conseguirá um emprego e muito menos reaver o amor e a atenção do seu filho.
Na casa dos trintas e muitos ou quarentas e poucos anos esta senhora elegante, de cabelo negro e com evidente formação superior estava completamente transtornada. O filho de 14 anos tinha ido viver com o pai em troca de uma bicicleta. Ela estava revoltadíssima porque tinha sido despedida da empresa onde trabalhava por ter ficado grávida e até já se tinha sujeitado a um trabalho intelectualmente inferior para poder criar os filhos condignamente. O contrato findou e veio de novo para o desemprego. Como vingança, e forma de lavar a alma, propôs-se a difamar a empresa que a tinha despedido ilegalmente. Agora, anda de loja em loja, em todos os centros comerciais, onde esta empresa está presente e pede para que ninguém consuma produtos da respectiva marca.
Saí daquela loja com o coração magoado, pude sentir-lhe o sofrimento e a doença que se tinha apoderado do seu corpo e do seu espirito. Aquela mulher exalava ódio, rancor, raiva, mágoa, uma miscelânea de sentimentos negativos que a deprimiam e a arrasavam. Era contagiante aquele seu estado de alma.
á diz o velho ditado que não é com vinagre que se apanham moscas. Não é enviando ódio e raiva que recebemos amor e afecto.
A grande maioria das pessoas concentra de maneira errada a sua energia. Focam-se no que não têm, no que gostariam de ter, naquilo que os outros têm. Na raiva, na inveja, na vingança. Acredito que aquilo em que nos focamos é o que recebemos de volta, qual boomerang. Mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra, recebemos o troco.
Perder um filho, seja de que forma for, deve ser realmente de uma dor indiscritível. - Nem quero pensar nisso. Sou incapaz de me meter no lugar de uma mãe “órfã”. - Mas acredito que o amor fala mais alto que qualquer bicicleta ou Ferrari, e, quanto a mim esta senhora só está a perder o tempo que deveria empregar em amor, carinho e atenção consigo mesma, e especialmente, com os filhos que infelizmente absorvem toda a sua negatividade. Não é desta forma que conseguirá um emprego e muito menos reaver o amor e a atenção do seu filho.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Quando ele se esquece do meu aniversário, o que é que isso
significa? O que é que isso quer dizer? Que já não sou tão importante na sua
vida como um dia já fui? Que a paixão de outrora escaldante e avassaladora que
nos tirava o pé e nos submergia na loucura acabou? Que o amor, a preocupação e
o companheirismo evaporaram na chama dos conflitos e da monotonia?
Ou devo acreditar na sua história mal contada e culpar o seu trabalho e os compromissos urgentes?
Pensei que isto nunca me aconteceria. Que nunca seria a protagonista de uma novela cujo argumento é esquecido pelo meu herói romântico. Ou será que já não sou a protagonista nesta história que já foi minha?
Ou devo acreditar na sua história mal contada e culpar o seu trabalho e os compromissos urgentes?
Pensei que isto nunca me aconteceria. Que nunca seria a protagonista de uma novela cujo argumento é esquecido pelo meu herói romântico. Ou será que já não sou a protagonista nesta história que já foi minha?
segunda-feira, 18 de junho de 2012
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Coisas de filha
Hoje duas das pessoas que mais amo e prezo fazem 40 anos que ataram
os laços das suas vidas. Tenho a certeza que farão tantos mais anos quantos
aqueles que viverem. Há 40 anos que vivem um amor incondicional e uma amizade
plena e verdadeira, digna da inveja, até de Adão e Eva ou de Pedro e Inês.
Apesar dos feitios invulgares e pouco fáceis, lá se vão entendendo, e
caminhando a par e passo numa vida que nem sempre fora fácil, combatendo as
vicissitudes e as maleitas que se avizinharam, dando lugar ao amor. Tenho um
orgulho imenso nesta relação tantas vezes conturbada e discutida, (mas lá diz o
ditado que casa que não ralhada não é bem governada) nem sempre exemplar, mas
que pode servir de exemplo. Gostava de poder dar ao meu filho tudo o que este
magnifico casal me deu e me proporcionou, mas gostava, especialmente, de lhe
mostrar que os avós não são uma exceção. Que os casamentos podem e devem durar,
que apesar das diferenças, dos antecedentes e dos ascendentes, fomos feitos essencialmente
para amar. Que podemos sobreviver comendo sopa todos os dias, que podemos
sobreviver num T0 mais pequeno que uma caixa de fósforos, que podemos
sobreviver sem roupas ou ténis de marca, e toda essa parafernália materialista, mas
que, nunca, jamais conseguiremos sobreviver sem amar.
Parabéns aos meus pais. Amo-vos do fundo do meu coração. Obrigada por tudo.
Coisas de mãe
O meu coração de mãe sente-se mais tranquilo, agora que vejo
uma ligação mais forte entre o meu Di e o pai. Estava preocupada, pensava
constantemente: “E se me acontece alguma coisa? O meu Di vai-se sentir
totalmente desamparado. Ele só me quer a mim, só quer o meu colo, a minha
companhia, a minha atenção dispensando todas as outras.” Agora que vejo aquela
chamazinha a acender entre os dois fico mais sossegada. Sinto-me aliviada. Se
me acontecer algo (espero que não, toc, toc, toc, bato na madeira 3 vezes), o
meu Di já não se sentirá tão desamparado na companhia do pai, pois passou a
reconhecê-lo como tal. Fico tão mais descansada, por saber que ficaria com
alguém de quem gostasse. Só quem é mãe, compreende o que sinto.
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