sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O meu herói.


O Sr. Di meu filho, hoje portou-se como um homem valente. Assim como…, deixa lá pensar num tipo mesmo valente. Ah já sei, o Super-Homem. Hoje o Sr. Di, meu filho, passará a ter a alcunha de Super-Homem.
Foi dia de fazer análises ao sangue, o rapaz pequeno foi picado e sugado por uma seringa apetrechada de uma agulha gigante e gorda e nem pestanejou, nem uma lágrima lhe caiu. Eu apertei-o com força à espera que o pior acontecesse. Sei lá, que chorasse em alto e em bom som, que pontapeasse a enfermeira, que se atirasse para o chão, que a enfermeira tivesse de repetir a picada duas ou três vezes, algo mesmo mau, mas nada disso aconteceu, o meu filho comportou-se como o Super-Homem se comportaria, um valente homenzarrão. Foi mais difícil arrancá-lo de casa sem beber o seu “eiti” (tradução: Leitinho), do que fazer a colheita de sangue. Quando foi picado apenas murmurou, “mamã”, eu apertei-o contra o peito, beijei-o e senti uma dor terrível no coração. Quando vi a seringa cheia de sangue quase desmaie e ele ali, teso e risonho a olhar para uma agulha cuja metade estava escondida dentro da sua veia.
Que corajoso que é o meu menino – pensei.
Como prémio trouxe-o comigo para o trabalho, o seu local de eleição, “a oina do abô” (tradução: a oficina do avô). Delirou quando entrámos no portão, correu para o avô e abraçou-o com força, deu-lhe os miminhos do costume e mostrou-lhe troféu, o penso onde estava a picada.
Hoje reaprendi duas grandes licções que o meu grande amor me relembrou, mas que de vez em quando eu me esqueço: o meu filho supera sempre as minhas expectativas e nunca sofrer por antecipação, pois a realidade é sempre muito melhor.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Vivo na minha casa desde 2008...

... mais precisamente desde o dia 26 de Dezembro de 2008. Nunca esquecerei as lágrimas que o meu pai tentou esconder quando nessa manhã saí de casa para começar uma vida nova com o meu amor maior. Também a mim me doeu sair do ninho, sair debaixo da sua asa protectora. Tinha medo do desconhecido. Quem não tem?
Bem, mas esta história ficará para outras núpcias, o que aqui quero dizer é que desde 2008 que vivo na minha casa e que esta está como no primeiro dia em que a habitei. DES-PI-DA! Completamente nua. Primeiro, porque não tínhamos dinheiro, a mensalidade do empréstimo levava-nos uma boa parte das nossas remunerações. Convenhamos que com 900€ de renda e com ordenados não muito altos, era difícil pensar sequer em gastarmos dinheiro na decoração da casa. Tínhamos o indispensável, móveis na sala, sofás, TV, mobília de quarto, pratos, talhares, tachos, panelas, 2 jogos de toalhas de casa de banho e 2 conjuntos de lençóis. Não era grande quantidade, mas conseguíamos sobreviver dessa maneira e gostávamos,” afinal de contas o que conta mesmo é o amor que nos une, o resto virá por acréscimo” pensava, e ainda continuo a pensar. Também é verdade que podíamos ter ido ao IKEA comprar uma boa quantidade de bibelôs e tecidos e espalhar tudo lá por casa. Mas acontece, que de todas as vezes que fui e vou ao IKEA vim e venho de lá sempre com um sentimento de vazio, “não gosto de nada”, penso triste. Para além das molduras, dos talheres e da mobília de quarto do meu rapaz pequeno, nunca achei graça a nada.
Bem, adiante, depois a Euribor baixou e saímos de uma renda milionária para uma renda capaz, o meu homem mudou de emprego e melhorámos sobejamente as nossas finanças. Contudo, neste novo emprego, foi parar a um projecto no Porto, em que partia à segunda e regressava à sexta. Eu regressei às origens (alegria no rosto do meu pai!), e encontrávamos-mos à sexta-feira à noite para nos despedirmos no Domingo. Ele vinha cansado e eu cansada estava, utilizávamos os fins-de-semana para matarmos saudades e para namorarmos, nomeadamente no nosso lugar de eleição, longe de casa. Nesta altura tínhamos dinheiro para gastos supérfluos mas não tínhamos vontade nem tempo. Entretanto engravidei e dei prioridade à visita que se fazia adivinhar. O importante, era preparar tudo para receber o nosso bebé com todas os requisitos e formalidades. Comprei roupas e todos os acessórios e apetrechos que o nosso bebé necessitaria quando decidisse dar o ar da sua graça.
 Depois do nascimento do meu Di a minha vida deu uma reviravolta, o seu primeiro ano de vida foi complicado, o rapaz pequeno chorava vinte e quatro horas por dia. Nenhum dos apetrechos com que me preocupei em compra-lhe antes do seu nascimento o satisfaziam. Qual brinquedo, qual cadeirinha de baloiço, o que ele gostava mesmo era de chorar e de resmungar. O rapaz pequeno ia dando comigo em doida, não tinha cabeça nem tão pouco paciência para cortinados, bibelôs e afins. Quando as coisas acalmaram um pouco e o meu Di  passou a choramingar só 12h por dia, porque as restantes passava a dormir, e eu já tinha alguma energia para pensar e receber informação acerca de tecidos, cores e apetrechos de decoração, pimbas o meu homem recebe um projecto na Bélgica. Partia à segunda e a regressava à quinta. Isto durou um ano e mais qualquer coisa. Eu e o meu Di regressámos de novo para casa dos avós, ele todo contentinho e eu toda contentinha por eles, com o meu projecto de decoração a ir pelo cano abaixo.  
Entre todas estas idas e vindas houve momentos em que tive vontade de meter a mão na massa e iniciar este projecto antigo. Sinto falta de um ambiente confortável entre aquelas paredes despidas de vida, mas fui sempre dissuadida pelo meu homem. Quando lhe dizia “encontrei uns cortinados giros cá para casa”, ele contestava com um “deixa ver se encontramos outros mais giros” ou “porque não esperamos pelos saldos?” Não sei porquê, mas estas palavras eram suficientes para perder o ânimo e a vontade de fazer fosse o que fosse.
O meu homem é uma jóinha de moço. É sim senhor. Tem muitas qualidades. Tem sim senhor. Mas um dos seus maiores defeitos é a indecisão. É sim senhor.
Esta semana tomei a decisão de reaver o meu projecto de decoração e já comecei a pôr a mão na massa. Ontem comuniquei-lhe que já tinha escolhido o papel de parede que iremos colocar na sala, ele veio logo com a conversa de que tinha visto numa loja no Parque das Nações, uma solução muito engraçada que se adaptaria muito bem à nossa sala e que gostava de lá ir ver melhor antes de tomarmos uma decisão.
“Isso é que era bom, não penses que desta vez me demoverás da minha decisão. Só te dou até ao fim-de-semana, para lá irmos ver essa tal magnifica solução, sobre a qual nunca me falaste. Se não formos, na segunda-feira encomendo o papel de parede.”
Está decidido, até ao final do ano vou dar um novo look à minha casa que precisa com urgência de cor  Ai vou, vou. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013


E quando nos querem vender um rolo de papel de parede por 110€? Ok, preciso de 3, isso ficaria em…. - É pá! Cougettes e cenouras, estes fios dourados só podem ser em ouro. - penso para mim.
- Ok, muito obrigada, vou pensar e trazer cá o meu marido para saber qual a sua opinião – invento uma desculpa e não volto a meter lá mais os pés.

E quando nos querem vender um abajur de plástico por 120€ que não vale mais do que 10€? Isto há com cada um! Fica lá com o abajur que eu vou ali num instantinho ao IKEA. Obrigadinha na mesma, mas não te masses mais.

“Nunca pensei que com esta idade me tornaria a apaixonar! Se soubesse ensinar o que ensinam na escola, o meu puto andava sempre comigo. “
Disse o meu pai ontem enquanto contemplava o meu filho. As duas pessoas mais parecidas que eu conheço. As duas que eu mais gosto.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013


A minha alminha ficou parva quando ontem de manhã o meu rapaz pequeno acordou a dizer que queria calçar o sapato no pé! Expressou-se tão bem, disse “pé” e não “té”. Ai que orgulho! Fi-lo dizer “pé” sem “t” até se cansar, até o rapaz já não achar graça nenhuma e passar a ignorar-me.
Foi o que me bastou para acordar bem-disposta, mas tão bem disposta! É verdade, verdadeira que passado pouco tempo voltou ao bom e velho “té”, mas não faz mal, aquele foi um momento inesquecivelmente alegre que me proporcionou o início de um dia fantástico, ainda eu não tinha saído da cama.
É assim a minha vida, mudou muito desde que este pequeno rapazinho de cabeça loira entrou por ela adentro, cheia de momentos deliciosos que tento gravar para sempre na minha memória.

Não te dou, não te troco, não te empresto.




sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Prepara-te porque quando eles virem a porta toda lixada (o meu marido e o meu pai) vão-te massacrar. – Isto sou eu a pensar.

A minha garagem é parecida com a garagem da vizinha do Quim Barreiros… apertadinha, apertadinha… Lá se foi a pintura de mais uma porta para o galheiro!!
É pá, mas porquê que construíram esta parede aqui!! 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Ele e eu. Nós.


Mamã, tó não mamã, tó não!
(Tradução: escola não mamã!)
Diz-me o meu rapaz pequeno de beicinho quando reconhece o edifício da escola. Fico triste, esta sua atitude deixa-me pensativa, mas quando sou recebida pela  educadora e pela auxiliar tão amorosas e queridas com ele e com todos os meninos, lembro-me que em todas as visitas surpresa que fiz sempre me senti satisfeita e aliviada por me certificar que o meu menino é tratado com carinho e respeito. Aliviada mas triste, porque gostava que ele ficasse na escola com um sorriso de orelha a orelha, sem choraminguices. Mas ele é assim, um choramingas e um mimoso com a sua mamã. Não me admira eu também sou assim com ele e também preferia estar na sua companhia durante todo o dia, todos os dias do ano. É algo que não me cansa, e jamais me cansará, muito pelo contrário, adoro. 


terça-feira, 10 de setembro de 2013


O meu rapaz pequeno está do mais fofo que existe. Aprendeu a dizer “nã tei” (Tradução: não sei) que emprega em quase todas as respostas que me dá.
Cruza os braços e faz cara de mau quando ralho com ele e dá gargalhadas que se ouvem no prédio ao lado quando brincamos às escondidas. “Tu tu mamã.”
Um verdadeiro doce, este meu amor pequenino que mal me cabe no peito. ♥

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Para além das dores de costas que de tão fortes até me põem mal disposta, está tudo fino.


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Acredita, acreditar, acreditar...


Acreditar que tudo se compõe, que a vida se encarrega de nos mostrar que nada acontece por acaso e que tudo acontece na altura certa e no momento ideal. Acreditar que Ele, o universo, reserva-nos o que há de melhor, apenas basta acreditar e caminhar, caminhar sempre. E mesmo naqueles dias em que nos sentimos desapontados, como o de hoje, acreditar que tudo é possível, rever o passado e agradecer o que já conquistámos e o que conquistaremos, mesmo ignorando o que a vida nos reserva.


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ele há gente que me tira do sério.


Nem sempre é fácil ignorar. Por mais força de vontade, por mais optimismo, por mais que saibamos que todo o negativismo que os outros emanam não nos afectará em nada, apenas os afectará a eles, já que a vida é como um boomerang, o que damos recebemos, por mais que saibamos que não controlamos a inveja, a má-língua alheia e que existe muita gente de mal com a vida porque descuram na manutenção do seu jardim por passarem a vida a invejarem o quintal alheio… CARAMBA às vezes apetece-me mandar à fava todos os ensinamentos de optimismo, amor, benevolência, felicidade que a vida se encarregou de me mostrar e “carolar” aquelas cabeças ocas até que lhes entre algo de bom e construtivo lá dentro.

Finalmente caio em mim, vasculho cá dentro e encontro a melhor parte de mim, revolvo os sentimentos e apercebo-me que dessa forma me tornaria uma deles, uma daquelas pessoas que abomino cujos corações estão impregnados de ódio, de raiva, de dor e que por mais que escondam esses sentimentos, porque os envergonham, um dia a máscara acaba por cair e mostram a sujidade que existe debaixo.

Admira-me como ainda existam tantas pessoas que não  perceberam qual a essência da vida.
Agora vou tratar do meu jardim porque não me interessa o quintal dos outros. 


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Sempre encarei o trabalho ...


... como um dos maiores benefícios que podemos ter como seres produtivos que somos. Venho de uma família a quem o trabalho ao invés de amedrontar, nos faz sentir gente, nos faz sentir felizes. Nunca me imaginei ficar sem ele, nem sequer nunca me imaginei não precisar dele para sobreviver. Sou de rotinas, sou de empreitadas, sou de me levantar cedo, sou de riscar cada tarefa executada na enorme lista de afazeres diária que tanto me orgulha. Mas caramba, as férias sabem tão bemmmmm... e são sempre tão poucas.  Deixam-me sempre um sabor a fel quando acabam e volto à rotina, especialmente por isso significar um decréscimo nas horas que usufruo da companhia do meu grande amor pequenino, que está tão grande.


terça-feira, 3 de setembro de 2013


Adorei estas semanas a três, só nós no nosso paraíso com o mar como plano de fundo. Gravei cada sorriso, cada mergulho, cada castelo de “a-ei-ia”, cada jogo de futebol, cada gargalhada, todos os beijos…
Gravei todos estes momentos na memória do coração, pois são eles que me relembram que a vida vale tanto e que vale ainda mais quando estamos juntos e partilhamos este amor que nos engrandece. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Regressámos

Recarregámos as baterias e atestámos, até ao gargalo, o coração de amor e mimos. Revigorámos o corpo de energia viva e tatuámos na alma a palavra felicidade. Porque felizes é aquilo que nós somos. 
Tão felizes.
Prontos para mais uma maratona de trabalho, do bom, até às próximas férias.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Afinal tive de regressar à labuta!

Urgências atrás de urgências e eu sou a tinoni cá do sítio  Mas estou em contagem decrescente e já só faltam 6 horas para vestir o Bikini para o despir só no dia 2 de Setembro.

terça-feira, 13 de agosto de 2013


Há uns anos a minha amiga S ligou-me. Muito estranho, pensei, sou sempre eu a ligar-lhe, ela nunca me liga, só me visita. Então estás pronta para fazermos a nossa viagem? Perguntou-me. Qual, aquela que combinámos fazer quando fomos a Londres? Sim, essa mesma! Estou!
E lá fomos nós rumo aos EUA. De início ficaríamos apenas uma semana por Nova Iorque, depois conseguimos mais uma semana em Rhode Island, na casa de uns amigos da S que passaram de imediato a meus amigos também.
Aterrámos em Nova Iorque e de seguida apanhámos outro voo para Boston onde as nossas amigas nos esperavam. Ali, passámos uma semana fantástica em casa destes novos amigos a quem muito agradeço a hospitalidade. Uma semana depois rumámos a Nova Iorque. Apanhámos o comboio e duas horas depois estávamos em Penn Station. Adorei estas duas semanas. Concretizei um sonho antigo e a companhia não podia ter sido melhor.
Boston é uma cidade linda e Nova Iorque é incrível, dia e noite sempre a aviar. É certo que não tem o glamour de Londres, nem a beleza de Lisboa, é barulhenta mas incrivelmente apaixonante e viciante. Existe uma diversidade multicultural e racial incomparável. O taxista, que deu meia volta a Manhattan, para nos deixar no hotel que ficava a quinhentos metros de Penn Station, era de origem árabe; as lojas de souvenir, para mim “quinquelhices”, os donos são de origem asiática, como em toda a parte do mundo; a empregada do primeiro restaurante onde fomos comer uma pizza e onde estava afixado um cartaz que dizia que não podíamos permanecer sentadas mais do que 15 minutos, devia ser caribenha, devido ao sotaque e à cor da pele; e por aí adiante.
Com tanta diversidade cultural e racial, custa-me crer que tenha sido o único país que visitei onde fui vítima de racismo e homofobia e nem sequer sou homossexual. Numa loja quase fui atirada do banco para o chão por duas jovens afro-americanas. Queriam sentar-se e mandaram-me levantar. Fingi-me de estúpida e disse um “I Don’t undestand you.” Perante a minha cara de totó, não vão de modos e pimbas, alapam os seus enormes rabos no sofá. Se não me pusesse imediatamente de pé caía estatelada no chão. Olhei para elas e perante os seus olhares ameaçadores, tipo: “o que é que foi? Passa-se alguma coisinha? Tás aqui tás a levar uma cabeçada”, agarrei na minha amiga e fomos embora com medo que elas me metessem as suas mãos sapuda sem cima do lombo e me saquem-se um olho com as enormes unhas vermelhas.
No dia em que chegámos sentíamo-nos inseguras naquele mar de gente, tínhamos medo de nos perdermos e de nunca mais nos encontrarmos por isso andávamos de braço dado. Perto do Central Park, enquanto esperávamos que o semáforo abrisse para atravessarmos a avenida, reparei numa senhora que nos olhava fixamente. Assim que o semáforo abriu, avançou na nossa direcção e zás. Dá um enorme encontrão à minha amiga que deixa cair a mala e que se não estivesse de braço dado comigo também ela dava ali um trambolhão monumental. A senhora com ar amalucada esbracejava e gritava connosco sem percebermos patavina do que dizia. Virámos-lhe costas e continuámos o nosso percurso. De vez em quando, sentia uns olhares de escárnio, sem perceber muito bem o porquê até ao dia em que fomos ver um jogo de basquete no Madison Square Garden e uns tipos começaram a fazer-nos rasteiras enquanto faziam comentários abusivos sobre a nossa suposta homossexualidade. Perante esta cena disse à minha amiga S que os nossos problemas resolver-se-iam se deixássemos de dar o braço. E assim foi, depois desse dia nunca mais tivemos problemas, a não ser com o Senhor taxista afro-americano que nos pôs fora do carro, quando dissemos que achávamos um absurdo o valor que nos queria cobrar para nos levar até ao aeroporto, mas esse episódio fica para outras núpcias.
Nunca tinha sido vítima de racismo, nem em Portugal nem em qualquer outro país por onde tenha passado, até essa semana em Nova Iorque o que me deixou desiludida. Talvez por termos um passado de conquistadores e não de conquistados, nunca tivesse dado pelo facto de existirem pessoas, não interessa a raça, que sofrem as mazelas do racismo.
Tenho para mim que os EUA é um desses países, cujas mazelas do racismo estão bem patentes na memória e nos genes deste povo. Talvez por não ter passado tantos anos da existência da Era de Jim Crow em alguns estados dos EUA, que impunha a segregação entre brancos e negros em locais públicos ou ainda da oculta mas existente ceita Ku Klux Klan, não tenham conseguido ultrapassar esse problema e ainda exista este estigma na mente do povo. Afinal de contas, quem compreende que num país tão rico cultural e racialmente, haja a existência de uma cidade cujo Chefe da Policia é também o dono de uma loja de armas e membro activo da supostamente extinta ceita Ku Klux Klan?
Isto tudo para comentar o facto de a empregada da Trois Pommmes em Zurique ter recusado a venda de uma mala à Ophra Winfrey.
Gosto da Ophra e sinceramente penso que não mentiria numa situação tão grave quanto esta, ou em qualquer outra, e compete-nos a todos delatar estes comportamentos abusivos, mas será que também não está na hora de pormos este estigma de parte, de esquecermos os erros do passado e partirmos em busca de um futuro melhor para os que aí veem? E isso cabe-nos a todos, brancos, negros, asiáticos, árabes, homens, mulheres… afinal de contas, de uma maneira ou de outra, já todos fomos vítimas e culpados. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013


Ai que já fiz cacada. Aderi ao Google + mas não percebo peva disto.  

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Esta vida de caixeiro viajante está a dar cabo de mim, Raparaparaparaparaparaparim....


Agora a sério, é verdade que esta vida de caixeiro-viajante é cansativa, desgastante até. É a tristeza de não estarmos juntos, são as saudades dos abraços, dos beijos, das gargalhadas ou simplesmente da companhia silenciosa enquanto assistimos a um filme ou lemos um livro. São as saudades das conversas antes de adormeceremos e das manhãs em que sinto o cheiro do seu perfume pela casa. E depois existe a parte logística, carrega mala para lá, carrega mala para cá; ai que hoje existe atraso no voo por causa do nevão que acabou de cair; ai que estou atrasado, ainda perco o voo. Chau, até quinta. Anda cá, dá-me um abraço. Liga o Skype para falarmos à noite. Porta-te bem, não me troques por nenhuma Belga alta, loira e lingrinhas. Não, fica descansada, só te trocaria pela Gisele Bundchen. Parvo. Feiinha. Amo-te. Também, te amo, é a tua sorte. És um chato. Não me trates mal senão não volto.
Depois sou eu, que sou uma medricas do catano e que detesto dormir na nossa casa sem ele. Passo a noite em vigia à espera que o ladrão trepe até ao sexto andar e que entre pela janela que está fechada, mas como eu sei que estes ladrões da actualidade são muito hábeis a manusear caixilhos e estão apetrechados de equipamentos sofisticados para abrir janelas, especialmente as dos sextos andares, adormeço quando amanhece, para me levantar uma hora depois. Um miminho!
 Não aguento mais uma noite sem dormir e faço a mala, emigro mais o meu Di para a casa dos meus pais. Ponho a minha roupa e a roupa do meu Di dentro da enorme Samsonite, faço a mala da natação, faço o saco da roupa para a lavandaria, pego no saco do lixo para despejar e agarro na minha mala de ombro. Carrego tudo até ao carro e enfio lá para dentro à pressa. Não cabe quase nada na bagageira, especialmente a samsonite, porque a primeira é habitada pelo carrinho do Di. Tiro o carro do Di e enfio a mala. Ah espera, preciso do carro porque tenho de ir às compras e tenho de levar o Di. Enfio de novo o carro na bagageira e a Samsonite no banco da frente. Enfio os restantes sacos e malas na bagageira. Espera, esqueci-me que o saco do lixo estava entre os outros sacos. Vou busca-lo à bagageira e meto-o à frente para o despejar no contentor. Dou-lhe um nó para não entornar o lixo no carro. Sento o  Di na cadeira e sento-me ao volante. Ah espera, esqueci-me do casaco em casa, anda filho vamos a casa porque a mãe esqueceu-se do casaco. Entramos no elevador, abro a porta, vou direita ao roupeiro buscar o casaco. O Di não quer sair de casa porque entrou no quarto e quer ficar a brincar. Olho para o relógio, estou em cima da hora. Anda Di, vamos filho! Após insistência vem contrariado. Fecho a porta. Entro no elevador. Abro o elevador porque já não me lembro se fechei a porta de casa à chave. Volto atrás e verifico que está fechada com duas voltas. Ainda assim abro a porta para ver se apaguei as luzes. Volto ao elevador. Abro o carro, sento o meu Di na cadeira, entro no carro. Saio de novo porque me esqueci da chave do carro no banco ao lado da cadeira do meu Di. Entro de novo no carro e finalmente arranco. Estou cansada e ainda só são 8 horas da manhã, chiça.
De regresso a casa é o mesmo ritmo e na semana seguinte viro disco e toco o mesmo e tem sido assim há um ano para cá.
Mas estava eu a dizer que é muito cansativa esta vida de caixeiro-viajante, mas actualmente é o melhor que temos e não nos podemos queixar. É chato fazer e desfazer mala, mas é muito bom poder tê-lo todas as semanas perto de nós, é bom que possamos estar os três juntos mesmo que sejam apenas três dias por semana. É bom que esteja num país pertinho de nós, onde o sabemos seguro, onde as pessoas são simpáticas e onde a qualquer momento pode apanhar um avião e em duas horas, mais coisa, menos coisa, pôr-se perto de nós. Agora no final só temos de agradecer e rezar para que o próximo projecto seja tão bom como este. Eu por cá, deixarei de ver filmes, tentarei controlar a imaginação, dormirei o sono dos justos e esperá-lo-ei cheia de saudades de o abraçar.