Existem muitas ideias interesantes. E como eu preciso delas para decorar o deserto que é a minha casa!
http://cultodecor.com/blog/quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
É só para dizer...
... que
esta aqui arrancou o esqueleto da cama às 6h30, já fez uma hora de natação e já
vai com uma hora e meia de trabalho, árduo.
O esqueletinho
pequenino levantou-se à hora do costume. Às 7h.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
No outro dia fui
buscar o meu Di mais cedo à escola e trouxe-o para o escritório. Imprimi uns
desenhos para pintarmos. Quando para minha surpresa pronunciou divinalmente a palavra
“mão”, enquanto apontava para a mão do boneco que queria que eu pintasse.
A Dra. da farmácia
tinha muita razão quando comentei que não se percebia muito bem o dialecto que ele
pronunciava. -Uma vez mais a deixar-me influenciar! Estúpidaaaaaa mil vezes.
– Não se preocupe, as
minhas filhas eram iguais. Vai ver que quando o menino fizer os dois anos vai
começar a desenvolver a fala de uma maneira surpreendente. Já diz o velho
ditado, primeiro ano andante, segundo ano falante.
Pimba, toma lá e vai
buscar, então não é que a farmacêutica tem toda a razão. Tenho notado que
começa a pronunciar melhor as silabas e que se expressa muito bem.
Ele há dias que devia estar calada.
Na consulta do pediatra.
Eu - Sr. Doutor
existe quem me diga que o meu Di fala pouco, que já devia falar mais. Olha para mim a fazer figura de ursa e a deixar-me influenciar por aqueles que não param de fazer comparações estupidas, como se eu também acreditasse que o meu Di não fala, ou que fala pouco.
O doutor –
Acha que ele não fala??? - Respondeu incrédulo. - Então, o rapaz desde que entrou aqui ainda não se calou!
Que essas pessoas não o percebam é outra coisa! Quer que o menino seja ainda
mais despachado do que o que é? Isso é impossível. Tudo a seu tempo. Diga a
essas pessoas para terem calma.
Upss. Toma lá e embucha. Para a próxima
aprende a estar calada e não te deixes influenciar.
Só me acontece a mim?
Ainda
hoje cronometrei…, de manhã não me consigo despachar em menos de 2 horas! A
resposta do meu Di para todas as minhas solicitações, pedidos e ordens é: Tchannãããããã….,
adivinhem se conseguirem. Ok a resposta correcta é: “NÃO”.
Não
existe nada que lhe peça, que lhe implore, e que ele me responda imediatamente
que sim. Por vezes é desesperante! Irra, espinafres e cenouras!
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Acudam, estou possessa
Ontem saí do sério. Ele há
momentos em que o universo em si parece que se conjuga contra mim. Só porque
sim, só porque lhe apetece, puro capricho de um qualquer Deus mimado.
Oh pá, então não é que ontem à
noite ia toda lampeira para entrar na garagem, com o carro apilhado de malas e
o meu Di já a dormir, quando me apercebi que o raça do portão não abria! Chovia
a cântaros, tive de alombar com o meu Di ao colo, o que não me custaria nada e
seria um enormíssimo prazer se não tivesse também que alombar com uma palete de
leite, a mala de viagem, a mala de mão, o guarda-chuva e claro o meu próprio
esqueleto. Arrebentou-se-me um pacote de leite e tudo, tive de lavar o chão do elevador, o meu
Di acordou super, híper rabugento, instalou-se o caos. Irra penico…
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Dream Books
Ontem recebi o álbum da Dream
Books que a minha amiga e comadre S ofereceu como presente de Natal ao meu Di.
Fan-tás-ti-co! Adorei! Lindo. Utilizei as fotos da nossa viagem a Londres pela
época da passagem do ano. Não é para me gabar mas tenho jeito para a coisa e a
plataforma da Dream Books ajuda muito. Muito bem organizada, com efeitos muito
apelativos e o melhor de tudo, é que não nos cinge a um computador já que as
fotos são gravadas na própria plataforma da Dream. Só tenho pena que ainda não
seja possível trabalhar através do meu ipad.
Adoro fotografias, adoro recordar
os bons momentos, aqueles que valem mesmo a pena, aqueles em que estamos
acompanhados das pessoas certas, das pessoas que fazem a diferença na nossa
vida. Adorei. Obrigada S.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Ontem foi dia de pediatra...
... e o Sr. Di, minha cria, portou-se muiiitoooo mal. Primeiro, não queria
entrar dentro do consultório, à saída não queria sair da sala de espera. Eu
pedia-lhe delicadamente para se vir embora, utilizei várias chantagens como
“olha o avô está à nossa espera” e ainda “anda, vamos brincar com a Nini”.
Depois já irritada passei à fase da ameaça “olha que a mamã põe-te de castigo!
Tu queres ficar de castigo?” – Perguntava-lhe irritada e envergonha perante as
outras mães e o malandro do meu Di ignorava-me por completo deitado no sofá com
ar de gozo a fingir que não me ouvia. “Deixe lá, a minha também é assim. Esta
fase dos dois anos é a fase em que nos testam a paciência” Dizia uma mãe a tentar
consolar-me.
Quem
se passou fui eu, e para a fase de tolerância zero. Peguei-o ao colo com ele a
esbracejar e finalmente consegui levá-lo
para fora do consultório.
Não
ficámos por aqui, foi birra o resto do dia e noite até que o meti mesmo de
castigo a “pensar” nas traquinices que andou a fazer. Felizmente acalmou-se.
Ainda
assim, não te dou, não te troco, não te empresto. ♥
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Quem lê o meu bolg, isto se houver
alguém que o leia, deve achar que sou uma melga ou uma tonta que vê o mundo em
tons fúcsia a fugir para o amarelo. Passo o tempo a falar do meu filho, das alegrias,
das traquinices e do quanto é bom ser mãe. Mas a verdade é que também tenho
problemas, alguns dissabores, algumas contrariedades que por vezes me deixam
triste, deprimida e chateada. Contudo, tento não valorizar não escrevendo sobre
o tema. Acredito que quanto mais falamos / escrevemos/ pensamos/ esmiuçamos,
determinado assunto mais nos aparece na nossa vida. Desejo para mim e para os meus,
amor e felicidade e é isso que envio para o universo. A vida é como um
boomerang, recebemos de volta o que damos.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
O prometido é devido.
Não o presenteámos com um Mercedes mas presenteámo-lo
com um Mini Cooper lindo, vermelhão, fantástico! Temos de começar por algum
lado. As construções também não se iniciam pelo topo, ora não é verdade!? O
Mercedes ficará para mais tarde, qui ça!Estou
convencida que este dia ficará para todo o sempre na memória do meu Di, lá num lugarzinho
muito especial no seu coração pequenino e na sua cabecinha loura. O rapaz
pequeno estava radiante, sem folego de tão feliz que se sentia e tenho a
certeza que o Mini Cooper era uma parte muito pequena dessa tão grandiosa
felicidade. O
meu filho é como eu em muitos aspectos. Para além da nossa parecença física tem
um coração enorme onde cabe muita gente e uma intuição que me deixa atordoada.
Sabe perfeitamente quem é merecedor do seu amor e claro adora estar rodeado
pela família, pelos que ama e já protege. Como
mãe cabe-me e é muito prazeroso proporcionar-lhe momentos de felicidade
extrema. Acho que o faço um pouco por egoísmo, sou viciada nas suas gargalhadas,
na sua vozinha doce quando diz “mãe ohhh vê” (tradução: outra vez), no seu
sorriso lindo que me deixa com os níveis de adrenalina lá nos píncaros e que me
faz sentir tão bem, tão relaxada, tão feliz. Sim, são estes momentos que valem
a pena, são estes momentos simples que importam e que fazem a minha vida valer
tanto a pena. ♥
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Dois anos já passados...
Dois anos
mágicos, cheios de alegria e de amor. Ensinaste-me a amar como nunca pensei ser
possível. Ensinaste-me a viver, ensinaste-me a Ser. Transformaste-me naquilo
que sou hoje, bem melhor do que aquilo que um dia fui. Mostraste-me o caminho
da felicidade simples e verdadeira onde não existe espaço para tristezas.
Quando te senti nos meus braços pela
primeira vez jurei-te amor eterno, rezei até ser dia por tamanha dádiva,
agradeci a Deus um milhão de vezes por me ter confiado alguém tão especial.
Hoje, continuo a agradecer-Lhe o prazer de te ver crescer e evoluir dia após
dia. Agradeço-Lhe quando oiço a tua vozinha de bebé a dizer “mãee”,
agradeço-lhe quando à noite te embalo nos meus braços e sinto o cheiro doce dos
teus cabelos, agradeço-Lhe quando te oiço gargalhar, agradeço-Lhe a vida que
nos deu e o amor que construímos e peço, peço com afinco que me dê muitos anos na
tua companhia. Sonho o melhor para ti, mas especialmente desejo muito que sejas
sempre feliz, assim como és hoje.
Amo♥te para além da vida. Amo♥te desde sempre e para sempre.Não te troco, não te dou, não te empresto.
Ontem não foi o dia ideal mas foi bom. Não tive a companhia
do meu mais-que-tudo na minha, na nossa cama. Não pude enroscar-me nos seus
braços e sonhar com o futuro risonho e feliz que nos espera e saborear o
presente fantástico que temos.
Mas ainda assim gostei. Gostei deste dia de São Valentim na
companhia do meu grande amor pequenino (e dos meus pais também). Traz-me boas recordações.
Fez ontem dois anos que o meu Di manifestou a sua vontade de conhecer o mundo. Foi
na noite de São Valentim que corremos para a maternidade. Estava na hora,
finalmente íamos ter o tão desejado encontro. Finalmente ia poder tocar-lhe,
cheirá-lo, mimá-lo, perscrutar-lhe cada centímetro de pele e amá-lo muito. ♥
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Há dois anos foi assim...
Quando esta noite soarem as onze badaladas estava eu a caminho da
maternidade. Tínhamos feito o percurso uns dias antes, para não nos enganarmos,
não fosse o rapaz pequeno estar com pressa de dar o arzinho da sua graça, mas
pimba, o meu pai com os nérvusss enganou-se, mas também não fez mal, o pequeno
só se decidiu a presentear-nos com a sua boa companhia dois dias depois. Já
nesta altura era pirata. LOL Boas
recordações. ♥
Tu ohhh piqueno, já mudas-te a minha vida… e para muitooo, mas mesmo MUITO
melhor.
Amo♥te para além da vida.
Bom dia dos namorados... I Love You
Adoro o dia dos namorados e todas as pirosices associadas a este dia.
Coraçõezinhos, cupidos de arco e flecha prontos a disparar amor por tudo o que
é sitio, postais com ursinhos apaixonados... Aliás adoro tudo o que tenha a ver
com amor, não fosse eu uma inveterada enamorada do próprio do amor. Sou
romântica, amo a ideia de amar, adoro estar apaixonada, eleva-me às estrelas.
Adoro namorar o meu amor, aquele que escolhi para partilhar a minha vida,
aquele com quem partilho o maior dos tesouros, o nosso filho, aquele que hoje
está longe… lá bem longe mas em quem, ainda assim, não deixo de pensar a cada
minuto da minha, das nossas vidas.
Amo♥te daqui à lua. (ir e vir)
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Estou de rastos, cansada,
cansadinha para xuxu. Isto de ter que me levantar às 4h de la matina para dar o
antibiótico ao meu Di, está a dar cabo da mim. Sou o oposto do Prof. Rebelo, eu
admito, preciso de dormir. O ideal seria dormir muitoooooooo mas como o Sr. Meu
filho não deixa, se dormir pelo menos 7 a 8 horas, já me dou por satisfeita. Quando o despertador toca às 7h para me
levantar parece que está a passar o comboio por cima de mim. Como diria o meu querido
Bruce:
At night I wake up
with the sheets soaking wet
And a freight train running through the
Middle of my head
And a freight train running through the
Middle of my head
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Quando tudo nos corre bem...
… zás catrapumba, pimba, toma lá e
vai buscar. Foi assim, esta semana, levei uma paulada daquelas… O meu
filhotinho começou com febre, desenvolveu para febre muito alta. Diagnóstico: pneumonia.
Mas mal o menor, a febre já passou agora é tratar a infecção e mimo, muito mimo da
sua mãeiii querida.
PS. O Carnaval já era… fica para o ano a festarola na nossa
terra, vamos vestir o Faísca Mcqueen em casa.
Pensamento Positivo!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Planos para o fim-de-semana
Dormir o que o meu Di permitir e lhe apetecer, recarregar baterias para mais uma semana cheia de saudades do meu amor, do nosso amor, do pai, do marido, daquele que tanta falta nos faz todas as noites, aquele que durante toda a semana deixa o lugar na nossa cama vazio e frio.
Limpar, lavar, arrumar, organizar, planear…
Ver filmes, ler, brincar, contar histórias, beijar muito, rir até doer a barriga… Amar, amar muito.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Hoje preciso muito do sorriso lindo do meu filho. Preciso
muito do seu abraço bem apertadinho acompanhado de beijinhos húmidos que me
lambuzam o rosto. Hoje preciso muito de sentir as cócegas daqueles cabelinhos
louros fininhos e sedosos no meu nariz a cada inspiração e expiração minha, na hora
de adormece-lo. Hoje preciso do seu carinho e do seu amor autêntico, único e
apaziguador.
Hoje tem sido assim
Qual pensamento positivo, qual quê! Por
mais boa vontade, por mais que lute contra a maré, inspire e expire quinhentas
vezes, posso até imaginar-me num campo cheio de flores lindo e maravilhoso, mas
até o “piu, piu” da passarinhada me dá cabo da cabeça. Caramba!, nem o ahaha…
moment da Oprah Winfrey me safa! Irra, existem dias que mais valia não sair
da cama. SOCORRO, agarrem-me, agarremmmm-meeeeee.... que eu já não posso ouvir o chefe.
Existem pessoas capazes de contaminar todo um ambiente com o seu negativismo.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Tenho saudades...
... das mensagens da
Miss Glittering que acompanho, não desde sempre mas há muito tempo. Há tanto
tempo que, ler o seu blog se tornou num dos meus hábitos diários favoritos. Adoro
tudo o que escreve e especialmente aprecio o optimismo com que encara a vida e
o amor que deposita em cada post, em cada frase e em cada palavra que escreve.
As suas palavras dão-me alento naqueles dias mais cinzentos, dão-me vontade de,
também eu, escrever coisas bonitas e de apreciar e aceitar o mundo e as pessoas
tal como eles são.
Tenho saudades desta desconhecida
que já considero uma amiga.
PS. Espero que esteja tudo bem e
que o motivo do silêncio seja apenas um “agora não me apetece.”
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Não deviam existir títulos, não tenho imaginação para isto.
Ainda ontem pensei cá para com o meu fecho eclair, “Sou muito
mais feliz quando não vejo o telejornal”. Passo a corrigir, sou muito mais feliz
quando o que vejo na TV se resume ao Bombeiro Sam, ao Noddy, ao Pocoyo, à
Lebrinha Cor de Mel, entre outros do mesmo género, porque tudo o resto dá dó, deixa-me depressiva, pessimista, de mau-humor, levada do diabo, rabugenta e impaciente.
“Adivinha o quanto eu gosto de ti... lai, lai, lai...,
adivinha o quanto eu gosto de ti… lai, lai, lai…”
Por lá foi assim...
Acredito que não nos cruzamos no caminho de alguém por pura
coincidência, mas porque Deus assim o destinou e nós assim o desejámos. Sei,
por experiência própria que recebemos na mesma dosagem o que oferecemos, o bom
e o mau, não interessa o contexto nem a via, Deus encarrega-se dos detalhes. E
tenho a certeza, que aqueles meus amigos lá longe, num país não tão distante
assim, receberão tudo o que o universo tem de melhor, porque merecem, porque
são genuinamente bons, porque oferecem o que de melhor têm, um coração do
tamanho do percurso Lisboa / Londres.
Nunca esquecerei e serei eternamente grata a forma como eu e
os meus fomos recebidos por aquelas pessoas que mal nos conhecendo abriram-nos as
portas da sua casa, abraçaram-nos e trataram-nos como seus, mais do que como
família, trataram-nos como amigos. E são, são amigos verdadeiros, dos bons,
daqueles que não se podem perder, daqueles que desejo preservar o resto da
vida, daqueles que ficam para sempre no coração.
Regressei com alma e o coração repletos de amor. Gratuitamente
e sem que dessem por isso estes meus queridos amigos ofereceram-me uma importante
lição de bonomia, de abdicação, de amor e de amizade. Fizeram-me acreditar naquilo
em que há muito não acreditava, nas pessoas, de que nascemos intrinsecamente
bons e que somos capazes de gostar para além de interesses.
Mas nada acontece por acaso e por algum motivo Deus reuniu-nos
de novo e acredito que foi por mim, fui a mais beneficiada, trouxe o amor e a paz
que há muito precisava.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
À S e à M
O meu leque de amizades não é dos mais vastos, nunca foi! No facebook, por exemplo, tenho trinta e poucos “amigos” e a maior parte deles nem sequer amigos são. São apenas meros conhecidos com quem gosto de trocar algumas palavras, mais por simpatia do que por interesse. Trinta e poucos amigos, comparativamente com os quatrocentos ou quinhentos amigos de outros “amigos”, é nada! Fazer amizades nunca foi o meu forte. Em miúda e na adolescência era envergonhada demais para meter conversa até com a minha própria sombra, mais tarde fiquei muito exigente, não admitia qualquer erro ou desagrado, idealizava amizades perfeitas, sem que nenhuma das partes nunca se magoasse ou duvidasse. Actualmente, considero-me muito mais tolerante, não exijo perfeição pois acredito que somos naturalmente imperfeitos. Foi assim que Deus decidiu que deveria ser. São estas imperfeições que nos tornam nos seres perfeitos que somos. Talvez por compreender melhor a nossa existência apreendi a aceitar cada um como verdadeiramente é, não querendo dizer que aprecie todos. Errar, desiludir, magoar, desagradar, são características que também definem a nossa condição humana.
Tudo isto para dizer que tenho
duas amigas eternas (a S e a M) que me acompanham desde sempre. Duas amigas que
valem pelos trezentos e poucos “amigos” que me faltam no facebook para atingir
um certo estatuto social nesta rede de amizades. Duas amigas que amo e que
apesar de não nos correr o mesmo sangue nas veias, são as minhas irmãs do
coração. Têm ambas personalidades distintas e vincadas, muitos defeitos, muitas
qualidades. Mas eu gosto delas assim, tal como são, admiro-lhes as qualidades e
não gosto dos defeitos, mas tolero-lhos. Admiro-lhes o Ser. Acredito que a nossa
amizade permanecerá até ao fim dos nossos dias e que um dia as nossas almas se
reunirão lá onde se encontram todas as almas boas.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Bom dia vida!
Sou uma chata de uma optimista, pode estar a cair a casa que
eu digo, “calma, vamos pensar numa solução”. Em todos os momentos desesperantes
da minha vida, que graças a Deus contam-se pelos dedos de uma mão, que chegam e
sobram, mantive uma calma, desesperante para os demais, e melhor ainda (pior
para os stressados por natureza), dei sempre a volta à questão e consegui ver o
lado positivo da tragédia.
Não, não vejo o mundo em azul-bebé com pintas verde-alface,
não sou irrealista, não vivo num mundo à parte perfeito e belo. Pelo contrário
vivo a minha vida com veracidade, contudo não me deixo ir abaixo com insignificâncias,
e encaro sempre o lado positivo de cada história, de cada pessoa, de cada
momento. Quero lá saber se há muito trânsito, ou se planei uma ida à praia e
está a chover a potes, ou se adoro aquele par de sapatos, mas já não existe o
meu número. O exterior não interfere na minha felicidade, apenas o aceito.
É verdade que nem sempre foi assim, conquistei aos poucos este
estado de consciência em que vivo. Mudei a minha opinião acerca de Deus e do
mundo quando há sete anos Ele enviou uma doença gravíssima, mortal para a
maioria dos pacientes, a uma das pessoas que mais amo e a que mais admiro.
Contudo, ainda esta manhã tomámos o pequeno-almoço juntos e percorremos o
caminho para o trabalho a rir das peripécias do meu filho, o seu neto mais
querido, o seu putinho.
Quando penso porquê que Deus ofereceu um cancro pulmonar ao
meu pai dez anos após o ter presenteado com um na garganta, acredito que foi a
única forma de nos abrir os olhos, de fazer um reset na nossa mente, de nos
achocalhar as ideias e o coração. Foi como se nos desse um calduço e dissesse:
“é pá deixem-se de merdas, amem, acarinhem e gozem a família fantástica que
têm, respeitem-se, olhem que esta vida acaba depressa por isso aproveitem ao
máximo a companhia uns dos outros e sejam felizes, caramba!” Recebi esta
mensagem numa daquelas noites, em que chorava baixinho deitada na minha cama,
enquanto ouvia o meu pai a vomitar as entranhas depois de levar uma dose da bem
dita quimioterapia, que juntamente com as minhas preces e o optimismo da minha
mãe nos ajudou a salvar a vida do meu pai. Depois disso percorri um longo
caminho de busca, e ainda o percorro diariamente, nem sempre preenchido de
certezas, especialmente quando me deparo com a infelicidade, a falsidade e a
inveja alheia. Mas quando olho para trás, quando encaro o meu presente e quando
penso no meu futuro, só posso agradecer a Deus, por tudo o que me deu. Sou uma
miúda de sorte, tenho uma boa estrela, não tenho motivos para encarar a vida de
forma pessimista, tenho tudo o que desejo, sou amada, sou desejada, tenho uma
família linda e cheia de saúde, um filho lindo e saudável, adoro o que faço,
adoro escrever e até tenho dinheiro para comparar um lindo par de sapatos sempre
que me apetece. Quando penso em todas estas coisas e em tantas outras alegrias,
julgo não ter sequer o direito em me chatear com as pequenas indisposições que
Ele nos envia para nos testar. E olhem que a mim…, testa-me todos os dias!
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Planos Furados
Pois é, já devia ter aprendido a lição, e não fazer planos
quando o meu Di faz parte desses mesmos planos, e a verdade é que faz sempre. O
rapaz pequeno é a personagem principal da minha vida.
Resumindo, este fim-de-semana estava convencidíssima que ia
descansar muuuuitooo, dormir muuuiiiitoooo (hoje em dia 8 horinhas é mais do
que bom), pôr a leitura em dia, alapar o rabo no sofá e não mais o tirar de lá
a não ser para responder às minhas e às necessidades básicas da minha cria, mas
nãooooo. NÃO aconteceu nada disso. O meu Di ficou com uma tosse infernal que o
atacava especialmente quando estava deitado e não dormiu nem isto, nem uma
pontinha, nem de noite nem de dia. Irra, maldita tosse que não largava o meu
pirralhinho. Passei as noites em claro com o meu Di ao lado, ora vira para
lá, ora vira para cá, couf, couf couf, mais uma biqueirada nas minhas costelas,
destapa-se, couf, couf, couf e agora quase que cai da cama, “e agora é que eu
arranjei uma bela posição, aiii como eu adoro deitar-me em cima da minha mamã,
estou mesmo bem, vou dormir um bocadinho enquanto ela zela pelo meu soninho.”
Adoro quando o meu Di adormece em cima de mim bem coladinho
ao meu coração, cujo bater só ele conhece profundamente, tem este hábito desde
que nasceu, mas a verdade é que eu não consigo pregar o olho com ele nesta
posição, tenho medo de me virar e o magoar, então passo o tempo que ele dorme
em silêncio abraçada a ele, a sentir-lhe o cheirinho dos cabelos fininhos, que
de quando em vez me fazem cócegas no nariz. Aproveito para fazer planos a longo
prazo, (sim, porque eu cá é que não sou parva, já não me engana mais nenhuma
vez, pelo menos até me esquecer da última J), e até faço a lista de compras para
a semana. Mas essencialmente agradeço. Agradeço a Deus o melhor que algum dia recebi,
este filho que amo tanto, e que me faz tão feliz.
Deixa lá dormes para a semana! – penso satisfeita abraçada ao
meu maior amor.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Vem aí o fim-de-semana
Há muito que não desejava tanto um fim-de-semana como este. Preciso de
descansar, dormir e curar este início de constipação que se avizinha. Vou meter
as pernas a caminho do meu lugar de eleição e dar muitos miminhos ao meu
amorzinho pequenino e receber outras tantos do meu amor grande. Matar as
saudades e carregar baterias para mais uma semana que se adivinha cheia de
saudades, sem ele ao meu lado todas as noites.
Coisas do Sr Di, meu rebento.
Ontem o meu Di estreou-se no
Circo. A educadora diz que nunca largou o seu ar muito sério e observador,
nunca tirou os olhos do leão que estava no topo da arena, (não fosse dar-lhe a
travadinha e ter que ser ele a domá-lo com o seu rugido e com a mãozinha canina
em riste: dah, dah, dah… Sim, tenho para mim que o meu filho seria capaz de amedrontar
a fera mais perigosa do planeta e com um simples “dah, dah, dah” meter-lhe o
rabinho entre as pernas) , e não achou muita graça quando o palhaço atirou com
uma mão cheia de pipocas para cima dos coleguinhas que estavam ao lado dele.
Coisas do meu Di que não dá confiança a mal vestidos.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
O meu grande amor pequenino
Com o meu filho obtive o maior dos ensinamentos da vida. Não
importa a raça, mãe é mãe! Protege, luta, acarinha, castiga, defende, mima,
tudo em prole deste amor incondicional que vai para além do Além.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Momentos da coisinha mais fofita de su mamacita.
Ontem depois do jantar o meu Di resolveu investir sobre os
presentes de Natal que se encontravam debaixo da árvore de Natal.
- Não mexe filho – disse-lhe.
- Dah, dah, dah – respondeu-me chateado de mão em riste a
apontar para os ditos presentes.
- Olha mãe o Di já rasgou o papel do embrulho de um deles, por
isso se já não é surpresa, já pode abrir. Não é putinho? – Disse o avô
conivente com a malandragem.
- Não, não é. Se faz favor arruma o presente onde estava senhor Di –
insisti.
- Nã, nã, nã – respondeu-me.
- A mamã está a dizer para arrumar –ralhei.
- Deixa putinho, esse cão é um rafeiro muito feio – disse o
avô a referir-se ao Pluto que já tinha o focinho todo de fora do papel colorido.
No Natal o avô embrulha a Nini (a nossa cadela de carne e pêlo) e oferece-ta. É
muito mais gira. Até faz chichi e tudo. Deixa não ligues a esse rafeiro feio.
E eu posso lá com estes dois pestinhas? LOL
Família = Amor
Adoro as noites em que nos juntamos, em que nos sentamos
para partilhar alegrias e amor, em que me reúno com os meus com aqueles que
nunca me falharam e que nunca nos desampararão, aqueles que amo e que me amam. Os
meus pais, avós galinha do meu filho. Os que me adoram os que amam de todo o
coração o meu bebé pequenino, mais fofinho do mundo. Os avós mais queridos do meu
filho, aqueles o fazem chorar quando nos dizem até amanhã e mesmo que seja
apenas um par de horas de ausência, são o suficiente para já termos imensas
saudades e vontade de estar com eles de novo.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
O nosso trio
Ontem
à noite o trio completou-se. Fico sempre tão feliz com o nosso reencontro, tão
desejado desde o momento da despedida. Por momentos esquecemos as saudades dolorosas
que nos magoam o coração e que fazem os nossos dias mais cinzentos, rezamos
para que o tempo se arraste e os dias se prolonguem por tempo indefinido. Nos próximos
dias, esquecemos que estas saudades se repetirão para a semana, para a outra,
para a outra e para a outra também. Deixa cá ver, ah e para a outra também, e
para a outra… até sei lá quando. O que nos vale são estes momentos juntos de partilha
de carinhos, de amor e de afectos. Felizes, como só nós os três o somos.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Coisinha mais fofinha de su mamacita
O meu Di é um docinho. Meiguinho, simpático, como ele só e beijoqueiro como
a mãe, enfim uma infindável porção de características adoráveis que me deixam
derretida e orgulhosa deste biscoito mais fofinho do meu mundo. Mas quando o
rapaz pequeno sai dos eixos e se transforma num pequeno rebelde, que Deus me
acuda e me dê muuuuita paciência.
Ontem no Shopping depois de o sentar em todos os carrinhos
eléctricos que lhe apeteceu por mais de meia hora, fez a maior birra alguma vez
vista na história da humanidade infantil, quando lhe disse que já chegava
porque estava na hora de irmos papar. Chorou, gritou, “nã, nã, nã…”, esbracejou,
bateu-me, mordeu-me, deitou-se no chão, arrastou-se pelo chão. Uma vergonha,
isso sim. Os olhares reprovadores de quem passava deixavam-me sem saber o que
fazer com aquele pestinha. Com vontade de enfiar a minha cabeça dentro de um
saco preto, peguei-lhe ao colo e levei-o a esbracejar até ao carro.
- “Má, má, má…” Chamava-me aquela minorca de palmo e meio.
- “A mamã não é má tu é que te estás a portar muito mal. Isso
sim.” – Respondi-lhe evitando vociferar “mau és tu, meu pestinha”. Li num livro
que não se deve chamar más às crianças, ficam traumatizadas e quem sabe,
capazes de se transformarem em verdadeiros delinquentes juvenis. Enfim, nada
melhor do que prevenir.
Quando o sentei no carro:
– “Mãim, mãim, mãim.” –
Chamou-me, agarrou-me o rosto com as suas mãozinhas pequeninas e beijou-me.
- Gostas da mamã?
- Tim. (tradução: Sim)
- A mãe está triste contigo.
- Tim.
- Portas-te bem?
- Tim
Ohh pá e lá existe coração que aguente uma fofura destas sem
se derreter?!
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
"Todos temos dentro de nós uma insuspeita reserva de força que emerge quando a vida nos põe à prova."
Isabel Allende in A Ilha Debaixo do Mar
Isabel Allende nunca me deixa indiferente.
Aprendo sempre algo com as suas protagonistas. Mulheres fortes e destemidas que
enfrentam as vicissitudes da vida com a coragem só pertencente aos audazes.
Mães guerreiras, amantes fervorosas, mulheres sonhadoras, donas de casa sábias.
Não fosse Isabel Allende, também uma lutadora, guerreira e sobrevivente.
Sobreviveu a uma ditadura, e pior do que qualquer ditadura ou holocausto,
sobreviveu à morte de uma filha. Admiro-a pela escrita, pela força e pela
doçura. Já o disse e volto a repetir, é-me impensável sobreviver ao meu filho,
sou incapaz de me visualizar sendo uma mãe órfã, por isso admiro as mães que
enfrentam tamanha perda com a doçura da sabedoria.
Penso sempre nas mães dos filhos
que se perdem para Deus e dos que se perdem na vida. Visto-lhes a pele e
sinto-lhes o sofrimento, choro por elas e pelas sua inestimáveis perdas.
Acredito que a nossa existência não se fica por aqui. Acredito que somos seres
essencialmente espirituais e que um dia nos encontraremos com os nossos amores
e desamores numa outra dimensão, que está para além da nossa imaginação, mas prefiro
ser eu a esperar pelo meu bem mais precioso nesse tal lugar que nunca ninguém
viu, não vá o diabo tecê-las e sermos apenas uns bonecos articulados nas mãos
de Alguém. Até lá, o que eu quero mesmo é que as minhas cordas se articulem com
as cordas dos meus, e preferencialmente com as suas cordas, as do meu filho, e
viver cada dia na sua companhia.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Nunca fiz nenhum feito extraordinário digno de
comentários alheios, nem tão pouco de manchete no telejornal das oito. Em miúda
nunca fui popular, nunca fui a mais bonita da escola, nem a mais inteligente da
turma. Quando tirei dezassete no exame final de história fui alvo de
contestação por parte dos meus colegas detentores de um QI superior ao meu.
Diziam eles e acreditava eu.
Em adulta desesperei para arranjar um namorado.
Nenhum homem gosta de um pau de virar tripas. Pensava, quando via no espelho a
minha figura esguia donde sobressaía um rosto, pequeno, não tão feio assim,
quase coberto por um emaranhado de cabelos que andavam por ali à solta, em desalinho,
tal como a minha vida, até ao dia…
Todos estamos aqui por alguma razão. Tudo tem uma
razão de existir. Cabe a cada um de nós procurar a nossa verdade. – Até ao dia…
Até ao dia em que certa noite li num dos meus
livros de auto-ajuda, que costumava ler sem convicção, estas frases feitas,
lidas e relidas centenas, senão milhares de vezes. Naquela noite, ligaram um
qualquer circuito que por defeito não veio ligado à nascença, ou foi desligado
pela mão da minha infância traiçoeira.
Não sou nenhuma heroína; nunca salvei ninguém de
morrer afogado. Não elevo ao apogeu milhares de fã; não sou cantora rock. Nunca
ganhei nenhum prémio, nem tão-pouco fui condecorada por feitos transcendentes. É
no dia-a-dia que me supero, quando retribuo amor, amizade e atenção. Supero-me,
quando digo “amo-te” à pessoa amada e às que não são amadas. Supero-me, quando preparo uma tarte para o meu amado.
Supero-me, quando chego a casa extenuada e é com prazer que brinco às
escondidas com o meu maior amor. Supero-me, quando me comovo a ver um filme e
choro qual Madalena arrependida. Supero-me, quando me olho no espelho e aprecio
o que vejo. Supero-me quando perdoo quem me
ofende.
Todos os dias contemplo a minha, a nossa, e a vossa
vida. Todos os dias dou, retribuo e agradeço, as pequenas coisas que fazem da
minha vida uma grande existência.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
14.º Campeonato de Escrita Criativa – 4.º Desafio
Detesto faltar aos meus compromissos. Quando me proponho a
fazer algo honro sempre a minha palavra. Detesto chegar atrasada, chego mesmo a
sentir calafrios e não aceito desculpas para não cumprir o prometido. Apreendi da
maneira mais dura a respeitar os meus compromissos quando na universidade fui
impedida de apresentar um trabalho por ter chegado atrasada.
Antes não tinha a noção de como isso incomodava os outros, de
como abusava de um dos mais importantes direitos consagrados a cada Ser Humano,
o tempo. O tempo dos outros e o nosso tempo. O tempo é um privilégio que deve
ser disponibilizado por cada um, conforme lhe apetece e por isso não temos o
direito de privar outrem do seu tempo.
Infelizmente, (e só de pensar fico doente) esta semana não
tive qualquer hipótese de cumprir com a minha participação no concurso de
escrita. O meu Di, ficou doente a meio da semana, não foi à escola, e com ele
por perto, sempre a solicitar atenções e miminhos torna-se impossível a minha
concentração para escrever.
Tentei escrever algo no Sábado, mas não consegui. O cansaço
falou mais alto e acabei por desistir. Preferi não entregar nada, a entregar
algo sem qualidade. No entanto, aqui ficam algumas linhas do que escrevi para o
desafio da semana.
Em que é que a expressão “uma ventania de riso” o faz pensar?
Todas as manhãs, só de pensar que tinha de passar naquele
corredor sentia náuseas, o suor escorria-me dentro da camisola, revolviam-se-me
as entranhas.
Os gritos e as risadas de escárino daqueles miúdos crueis
enquanto percorria aquele maldito corredor em direcção à minha sala de aula
eram como murros na barriga. Desde cedo aprendi o quão difícil é ser-se feia e
gorda.
Aquela ventania de riso actuava em mim como um ciclone de
raiva e ódio. Sentia-me pequenina, insignificante e diminuta, exactamente o oposto
da minha aparência grande e sebenta. - Olha a gorda! – Era a mais amistosa
saudação que podia ouvir. Creio que Jesus não ouviu tantos insultos enquanto
percorria o caminho que o levava ao calvário, como eu, quando percorria aquele
tunel de obscenidades. Ok. Jesus não sofria do mais desprezivel dos defeitos. Não
era gordo e até há quem diga que era um Tipo bem-apessoado!
Mas o pior disto tudo,
nem era o facto de ser a gorda da corte, ou o bode expiatório para todas as
maleitas e problemas do liceu. Nem mesmo os gestos obscenos e a dor física dos
pontapés infligidos me feriam como a minha cumplicidade. A minha vontade de ser
aceite por aquele grupo, obrigava-me a gargalhar a cada pontapé infligido e a
sorrir a cada apalpão dolorosamente ordinário. Fingia que não me importava e
que até gostava de ser apelidada de gorda, sorria com as obscenidades gritadas
por bocas que ainda não conheciam o seu significado. Magoava-me, feria-me no
mais profundo do meu âmago só para pertencer aquela
tribo. Só para ser aceite. Afinal, é o que todos queremos, pertencer a algo, a
alguém, ter raízes.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
14.º Campeonato de Escrita Criativa – 3.ª Desafio
Como
seriam as férias perfeitas?
Estou numa sala enorme de formato oval e estilo colonial, com
um pé direito de perder de vista, cujas paredes forradas de estantes estão
repletas de belos originais de magníficas obras lidas por muitos mas tocadas
por poucos. Subo o escadote de acesso a uma das estantes e deparo-me com “O Crime de Lord Arthur Saville”. Nem
quero acreditar que tenho na mão um manuscrito de Oscar Wilde! – Meu Deus que
privilégio! – Penso atordoada, com o que os meus olhos vislumbravam. Um pouco
mais ao lado chama-me a atenção um outro livro que pego com cuidado. A capa amarelada
que denuncia a sua antiguidade tem como titulo “Os Lusíadas”. A primeira edição
da obra.
Enquanto
desço o escadote até chão firme, reparo nas portadas de acesso ao terraço donde
sobressai o chão de madeira brilhante de tão encerado. Saio lá para fora e sou
abocanhada pelo cheiro intenso a maresia. À minha frente, uma baia de águas
mansas azul-turquesa e areia dourada. Oiço umas gargalhas que me despertam do
entorpecimento em que me encontro. Desvio o olhar para a outra ponta e vejo uma
criança e um homem a correrem sobre o manto de areia fina. É o meu filho e o
meu marido. Parecem-me felizes. Chamo-os mas não me ouvem. Estão entretidos nas
brincadeiras.
-Bom
dia. – Sou interrompida por uma mulher negra, descalça, que segura uma toalha
branca.
-
Bom dia. – Respondo, surpreendida enquanto lhe aprecio os pés muito bem
desenhados de calcanhares hidratados.
-
Está na hora da massagem. – Diz sorridente.
-
Onde estou? – Pergunto-lhe.
-
Está a gozar as suas férias de sonho. – Responde-me com o mesmo sorriso donde
sobressaem os dentes brancos que fazem pendant
com ao toalha.
Aponta
para uma marquesa sofisticada, onde me deito de barriga para baixo. Coça-me as
costas e a cabeça com as pontas dos dedos até que eu adormeça. Alguém a informou
que são os meus pontos fracos.
Acordo
e percorro o resto da casa, oiço de novo o riso contagiante do meu filho.
Lanço-me no seu encalce. Entro numa sala adornada por uma mesa repleta de iguarias
deliciosas e sento-me ao seu lado. Empanturramo-nos descontraidamente enquanto
partilhamos as nossas vivências na ilha de Richard Branson.
-
Que tal estão a ser as vossas férias de sonho? – Somos interrompidos por um
homem de barba. É ele, o dono da ilha.
-
Inesquecíveis.- Respondemos em uníssono.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
14.º Campeonato de Escrita Criativa - 2.º Desafio
Escreva
uma carta ao seu brinquedo favorito.
Olá amiguinho,
Vieste antes do tempo sem data nem hora marcada. Ocupaste o teu
lugar sem avisar, apareceste assim do nada. Usurpaste-me os planos, as viagens,
os serões, as leituras, o tempo, esse bem precioso, que despendia conforme me
apetecesse, sem horários nem urgências. Com a destreza e a coragem, que tão bem
caracterizam a tua personalidade, tornaste-te no centro do meu mundo, e auto-nomeaste-te
o meu “brinquedo” favorito. Um brinquedo muito real, que chora, que come, que
faz xixi e cocó, que adora os meus miminhos, que me rodeia o pescoço num abraço
apertado e que me encharca o rosto com beijos deliciosos e dentadinhas
dolorosamente prazerosas.
Dono do sorriso mais lindo e da gargalhada mais viciante do
mundo, és tu o despertador das minhas manhãs, o senhor dos meus dias, a estrela
das minhas noites, o meu “brinquedo” vivo de carne e osso que atrai toda a
minha atenção, lealdade e amor. Acompanhar a tua aprendizagem, partilhar cada
nova vivência, cada gracinha, cada traquinice é o meu passatempo favorito.
Deixei as leituras e as séries do Fox Life, para próximas núpcias. Contemplar-te
dá-me infinitamente mais gozo.
Quero que saibas que és o melhor “brinquedo” que alguma vez recebi.
És infinitamente melhor do que a mansão da Barbie que recebi pelo Natal de 84
ou que a viagem a Nova Iorque em 2007.
És único, és o meu filho querido, és o melhor que a vida me deu.
Amo-te
Um chi-coração da mamã.
14.º Campeonato de Escrita Criativa - 1.º Desafio
Imagine e descreva como seria o dia mais estranho que poderia viver no seu
local de trabalho.
Assim que passo a porta noto a sua ausência.
O que lhe terá acontecido? – Penso. - Nunca se atrasou,
sequer um minuto, durante todos estes anos!
A sua cadeira vazia, é engolida por um silêncio sepulcral. Sinto-lhe
a falta. Não tenho ninguém a quem dizer bom dia, nem tão pouco com quem dividir o meu silêncio. Onde está aquela voz rouca
que esporadicamente se ouve, a não ser para expelir ordens arrogantes? Que faz perguntas
para as quais só ela tem as respostas e que não se cansa de trautear canções irritantes
que se misturam com o som dos teclados.
Sento-me no meu lugar de onde vislumbro a sua secretária
arrumada e organizada, na qual aparentemente costuma reinar o caos e a confusão,
mas onde tudo tem uma ordem só compreensível ao seu senhorio.
Sinto-me confusa, por esta altura já tinha ouvido o seu
pigarrear irritante pelo menos dez vezes. Havia dias em que o seu esforço
constante em clarificar a voz irritava-me. Hoje, estranhamente, sinto-lhe a
falta!
- Sabes alguma coisa do chefe? – Pergunto ao meu colega que
acaba de chegar.
- Não, porquê, ainda não chegou? – Questiona admirado. – Deve
estar para cair algum santo do altar! – Exclama divertido.
- Parvalhão. – Pensei, sem responder enquanto ligava o computador.
Bem sei que não é uma pessoa de fácil trato. Rígido,
arrogante, taciturno, autoritário. Mas gosto dele! Sempre gostei!
A meio da manhã recebo um enorme ramo de flores, com um bilhete,
que diz:
- Bom dia, foi um prazer conhece-la e trabalhar consigo. Devo-lhe
dizer que desde que aconteceu a revolução dos cravos, que deixou este país de pantanas
e especialmente os jovens de cabeças às avessas, a Ana foi a minha melhor
aprendiz. Desde já nomeio-a minha substituta. Está apta a tomar as rédeas e pôr
essa gente na ordem. Da minha parte, vou gozar os restantes dias que ainda
tenho de boa saúde ao lado da minha companheira de há mais de sessenta anos.
Aquela que sempre me apoiou e que sempre tolerou o meu mau feitio. Já estou
velho para correrias, os meus setenta e oito anos já me pesam.
Uma última ordem: apaixone-se, senão vai acabar ranzinza como
eu.
PS: Partilhar
do seu silêncio foi um enorme privilégio.
14.º Campeonato de Escrita Criativa com Pedro Chagas Freitas
Resolvi que, se calhar, seria uma boa ideia. Pus o medo da
rejeição de parte e atirei-me de cabeça. Vamos lá ver no que vai dar! Já diz o
velho ditado, que quem não arrisca não petisca.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Ontem
enquanto aguardava pelo talão referente a um pagamento, irrompe pela loja
adentro uma mulher com duas crianças. Uma menina que passeava a alta velocidade
um carrinho de bonecas e um menino que corria em círculos. Ambos falavam muito
alto.
A
mulher dirigiu-se ao balcão e disse que queria ter uma conversa privada com a
empregada. De repente, sem aviso prévio, e ainda estando eu presente, começou
com um discurso nervoso e atabalhoado.
Na casa dos trintas e muitos ou quarentas e poucos anos esta senhora elegante, de cabelo negro e com evidente formação superior estava completamente transtornada. O filho de 14 anos tinha ido viver com o pai em troca de uma bicicleta. Ela estava revoltadíssima porque tinha sido despedida da empresa onde trabalhava por ter ficado grávida e até já se tinha sujeitado a um trabalho intelectualmente inferior para poder criar os filhos condignamente. O contrato findou e veio de novo para o desemprego. Como vingança, e forma de lavar a alma, propôs-se a difamar a empresa que a tinha despedido ilegalmente. Agora, anda de loja em loja, em todos os centros comerciais, onde esta empresa está presente e pede para que ninguém consuma produtos da respectiva marca.
Saí daquela loja com o coração magoado, pude sentir-lhe o sofrimento e a doença que se tinha apoderado do seu corpo e do seu espirito. Aquela mulher exalava ódio, rancor, raiva, mágoa, uma miscelânea de sentimentos negativos que a deprimiam e a arrasavam. Era contagiante aquele seu estado de alma.
á diz o velho ditado que não é com vinagre que se apanham moscas. Não é enviando ódio e raiva que recebemos amor e afecto.
A grande maioria das pessoas concentra de maneira errada a sua energia. Focam-se no que não têm, no que gostariam de ter, naquilo que os outros têm. Na raiva, na inveja, na vingança. Acredito que aquilo em que nos focamos é o que recebemos de volta, qual boomerang. Mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra, recebemos o troco.
Perder um filho, seja de que forma for, deve ser realmente de uma dor indiscritível. - Nem quero pensar nisso. Sou incapaz de me meter no lugar de uma mãe “órfã”. - Mas acredito que o amor fala mais alto que qualquer bicicleta ou Ferrari, e, quanto a mim esta senhora só está a perder o tempo que deveria empregar em amor, carinho e atenção consigo mesma, e especialmente, com os filhos que infelizmente absorvem toda a sua negatividade. Não é desta forma que conseguirá um emprego e muito menos reaver o amor e a atenção do seu filho.
Na casa dos trintas e muitos ou quarentas e poucos anos esta senhora elegante, de cabelo negro e com evidente formação superior estava completamente transtornada. O filho de 14 anos tinha ido viver com o pai em troca de uma bicicleta. Ela estava revoltadíssima porque tinha sido despedida da empresa onde trabalhava por ter ficado grávida e até já se tinha sujeitado a um trabalho intelectualmente inferior para poder criar os filhos condignamente. O contrato findou e veio de novo para o desemprego. Como vingança, e forma de lavar a alma, propôs-se a difamar a empresa que a tinha despedido ilegalmente. Agora, anda de loja em loja, em todos os centros comerciais, onde esta empresa está presente e pede para que ninguém consuma produtos da respectiva marca.
Saí daquela loja com o coração magoado, pude sentir-lhe o sofrimento e a doença que se tinha apoderado do seu corpo e do seu espirito. Aquela mulher exalava ódio, rancor, raiva, mágoa, uma miscelânea de sentimentos negativos que a deprimiam e a arrasavam. Era contagiante aquele seu estado de alma.
á diz o velho ditado que não é com vinagre que se apanham moscas. Não é enviando ódio e raiva que recebemos amor e afecto.
A grande maioria das pessoas concentra de maneira errada a sua energia. Focam-se no que não têm, no que gostariam de ter, naquilo que os outros têm. Na raiva, na inveja, na vingança. Acredito que aquilo em que nos focamos é o que recebemos de volta, qual boomerang. Mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra, recebemos o troco.
Perder um filho, seja de que forma for, deve ser realmente de uma dor indiscritível. - Nem quero pensar nisso. Sou incapaz de me meter no lugar de uma mãe “órfã”. - Mas acredito que o amor fala mais alto que qualquer bicicleta ou Ferrari, e, quanto a mim esta senhora só está a perder o tempo que deveria empregar em amor, carinho e atenção consigo mesma, e especialmente, com os filhos que infelizmente absorvem toda a sua negatividade. Não é desta forma que conseguirá um emprego e muito menos reaver o amor e a atenção do seu filho.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Quando ele se esquece do meu aniversário, o que é que isso
significa? O que é que isso quer dizer? Que já não sou tão importante na sua
vida como um dia já fui? Que a paixão de outrora escaldante e avassaladora que
nos tirava o pé e nos submergia na loucura acabou? Que o amor, a preocupação e
o companheirismo evaporaram na chama dos conflitos e da monotonia?
Ou devo acreditar na sua história mal contada e culpar o seu trabalho e os compromissos urgentes?
Pensei que isto nunca me aconteceria. Que nunca seria a protagonista de uma novela cujo argumento é esquecido pelo meu herói romântico. Ou será que já não sou a protagonista nesta história que já foi minha?
Ou devo acreditar na sua história mal contada e culpar o seu trabalho e os compromissos urgentes?
Pensei que isto nunca me aconteceria. Que nunca seria a protagonista de uma novela cujo argumento é esquecido pelo meu herói romântico. Ou será que já não sou a protagonista nesta história que já foi minha?
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