sexta-feira, 9 de novembro de 2012


"Todos temos dentro de nós uma insuspeita reserva de força que emerge quando a vida nos põe à prova."
Isabel Allende in A Ilha Debaixo do Mar

Isabel Allende nunca me deixa indiferente. Aprendo sempre algo com as suas protagonistas. Mulheres fortes e destemidas que enfrentam as vicissitudes da vida com a coragem só pertencente aos audazes. Mães guerreiras, amantes fervorosas, mulheres sonhadoras, donas de casa sábias. Não fosse Isabel Allende, também uma lutadora, guerreira e sobrevivente. Sobreviveu a uma ditadura, e pior do que qualquer ditadura ou holocausto, sobreviveu à morte de uma filha. Admiro-a pela escrita, pela força e pela doçura. Já o disse e volto a repetir, é-me impensável sobreviver ao meu filho, sou incapaz de me visualizar sendo uma mãe órfã, por isso admiro as mães que enfrentam tamanha perda com a doçura da sabedoria.

Penso sempre nas mães dos filhos que se perdem para Deus e dos que se perdem na vida. Visto-lhes a pele e sinto-lhes o sofrimento, choro por elas e pelas sua inestimáveis perdas. Acredito que a nossa existência não se fica por aqui. Acredito que somos seres essencialmente espirituais e que um dia nos encontraremos com os nossos amores e desamores numa outra dimensão, que está para além da nossa imaginação, mas prefiro ser eu a esperar pelo meu bem mais precioso nesse tal lugar que nunca ninguém viu, não vá o diabo tecê-las e sermos apenas uns bonecos articulados nas mãos de Alguém. Até lá, o que eu quero mesmo é que as minhas cordas se articulem com as cordas dos meus, e preferencialmente com as suas cordas, as do meu filho, e viver cada dia na sua companhia. 

terça-feira, 30 de outubro de 2012


Nunca fiz nenhum feito extraordinário digno de comentários alheios, nem tão pouco de manchete no telejornal das oito. Em miúda nunca fui popular, nunca fui a mais bonita da escola, nem a mais inteligente da turma. Quando tirei dezassete no exame final de história fui alvo de contestação por parte dos meus colegas detentores de um QI superior ao meu. Diziam eles e acreditava eu.

Em adulta desesperei para arranjar um namorado. Nenhum homem gosta de um pau de virar tripas. Pensava, quando via no espelho a minha figura esguia donde sobressaía um rosto, pequeno, não tão feio assim, quase coberto por um emaranhado de cabelos que andavam por ali à solta, em desalinho, tal como a minha vida, até ao dia…

Todos estamos aqui por alguma razão. Tudo tem uma razão de existir. Cabe a cada um de nós procurar a nossa verdade. – Até ao dia… Até ao dia em que certa noite li num dos meus livros de auto-ajuda, que costumava ler sem convicção, estas frases feitas, lidas e relidas centenas, senão milhares de vezes. Naquela noite, ligaram um qualquer circuito que por defeito não veio ligado à nascença, ou foi desligado pela mão da minha infância traiçoeira.

Não sou nenhuma heroína; nunca salvei ninguém de morrer afogado. Não elevo ao apogeu milhares de fã; não sou cantora rock. Nunca ganhei nenhum prémio, nem tão-pouco fui condecorada por feitos transcendentes. É no dia-a-dia que me supero, quando retribuo amor, amizade e atenção. Supero-me, quando digo “amo-te” à pessoa amada e às que não são amadas. Supero-me, quando preparo uma tarte para o meu amado. Supero-me, quando chego a casa extenuada e é com prazer que brinco às escondidas com o meu maior amor. Supero-me, quando me comovo a ver um filme e choro qual Madalena arrependida. Supero-me, quando me olho no espelho e aprecio o que vejo. Supero-me quando perdoo quem me ofende.

Todos os dias contemplo a minha, a nossa, e a vossa vida. Todos os dias dou, retribuo e agradeço, as pequenas coisas que fazem da minha vida uma grande existência. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

14.º Campeonato de Escrita Criativa – 4.º Desafio


Detesto faltar aos meus compromissos. Quando me proponho a fazer algo honro sempre a minha palavra. Detesto chegar atrasada, chego mesmo a sentir calafrios e não aceito desculpas para não cumprir o prometido. Apreendi da maneira mais dura a respeitar os meus compromissos quando na universidade fui impedida de apresentar um trabalho por ter chegado atrasada.
Antes não tinha a noção de como isso incomodava os outros, de como abusava de um dos mais importantes direitos consagrados a cada Ser Humano, o tempo. O tempo dos outros e o nosso tempo. O tempo é um privilégio que deve ser disponibilizado por cada um, conforme lhe apetece e por isso não temos o direito de privar outrem do seu tempo.
Infelizmente, (e só de pensar fico doente) esta semana não tive qualquer hipótese de cumprir com a minha participação no concurso de escrita. O meu Di, ficou doente a meio da semana, não foi à escola, e com ele por perto, sempre a solicitar atenções e miminhos torna-se impossível a minha concentração para escrever.
Tentei escrever algo no Sábado, mas não consegui. O cansaço falou mais alto e acabei por desistir. Preferi não entregar nada, a entregar algo sem qualidade. No entanto, aqui ficam algumas linhas do que escrevi para o desafio da semana.

Em que é que a expressão “uma ventania de riso” o faz pensar?

Todas as manhãs, só de pensar que tinha de passar naquele corredor sentia náuseas, o suor escorria-me dentro da camisola, revolviam-se-me as entranhas.

Os gritos e as risadas de escárino daqueles miúdos crueis enquanto percorria aquele maldito corredor em direcção à minha sala de aula eram como murros na barriga. Desde cedo aprendi o quão difícil é ser-se feia e gorda.

Aquela ventania de riso actuava em mim como um ciclone de raiva e ódio. Sentia-me pequenina, insignificante e diminuta, exactamente o oposto da minha aparência grande e sebenta. - Olha a gorda! – Era a mais amistosa saudação que podia ouvir. Creio que Jesus não ouviu tantos insultos enquanto percorria o caminho que o levava ao calvário, como eu, quando percorria aquele tunel de obscenidades. Ok. Jesus não sofria do mais desprezivel dos defeitos. Não era gordo e até há quem diga que era um Tipo bem-apessoado!

 Mas o pior disto tudo, nem era o facto de ser a gorda da corte, ou o bode expiatório para todas as maleitas e problemas do liceu. Nem mesmo os gestos obscenos e a dor física dos pontapés infligidos me feriam como a minha cumplicidade. A minha vontade de ser aceite por aquele grupo, obrigava-me a gargalhar a cada pontapé infligido e a sorrir a cada apalpão dolorosamente ordinário. Fingia que não me importava e que até gostava de ser apelidada de gorda, sorria com as obscenidades gritadas por bocas que ainda não conheciam o seu significado. Magoava-me, feria-me no mais profundo do meu âmago só para pertencer aquela tribo. Só para ser aceite. Afinal, é o que todos queremos, pertencer a algo, a alguém, ter raízes.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

14.º Campeonato de Escrita Criativa – 3.ª Desafio


Como seriam as férias perfeitas?
Estou numa sala enorme de formato oval e estilo colonial, com um pé direito de perder de vista, cujas paredes forradas de estantes estão repletas de belos originais de magníficas obras lidas por muitos mas tocadas por poucos. Subo o escadote de acesso a uma das estantes e deparo-me com “O Crime de Lord Arthur Saville”. Nem quero acreditar que tenho na mão um manuscrito de Oscar Wilde! – Meu Deus que privilégio! – Penso atordoada, com o que os meus olhos vislumbravam. Um pouco mais ao lado chama-me a atenção um outro livro que pego com cuidado. A capa amarelada que denuncia a sua antiguidade tem como titulo “Os Lusíadas”. A primeira edição da obra.
Enquanto desço o escadote até chão firme, reparo nas portadas de acesso ao terraço donde sobressai o chão de madeira brilhante de tão encerado. Saio lá para fora e sou abocanhada pelo cheiro intenso a maresia. À minha frente, uma baia de águas mansas azul-turquesa e areia dourada. Oiço umas gargalhas que me despertam do entorpecimento em que me encontro. Desvio o olhar para a outra ponta e vejo uma criança e um homem a correrem sobre o manto de areia fina. É o meu filho e o meu marido. Parecem-me felizes. Chamo-os mas não me ouvem. Estão entretidos nas brincadeiras.
-Bom dia. – Sou interrompida por uma mulher negra, descalça, que segura uma toalha branca.
- Bom dia. – Respondo, surpreendida enquanto lhe aprecio os pés muito bem desenhados de calcanhares hidratados.
- Está na hora da massagem. – Diz sorridente.
- Onde estou? – Pergunto-lhe.
- Está a gozar as suas férias de sonho. – Responde-me com o mesmo sorriso donde sobressaem os dentes brancos que fazem pendant com ao toalha.
Aponta para uma marquesa sofisticada, onde me deito de barriga para baixo. Coça-me as costas e a cabeça com as pontas dos dedos até que eu adormeça. Alguém a informou que são os meus pontos fracos.
Acordo e percorro o resto da casa, oiço de novo o riso contagiante do meu filho. Lanço-me no seu encalce. Entro numa sala adornada por uma mesa repleta de iguarias deliciosas e sento-me ao seu lado. Empanturramo-nos descontraidamente enquanto partilhamos as nossas vivências na ilha de Richard Branson.
- Que tal estão a ser as vossas férias de sonho? – Somos interrompidos por um homem de barba. É ele, o dono da ilha.
- Inesquecíveis.- Respondemos em uníssono.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

14.º Campeonato de Escrita Criativa - 2.º Desafio

Escreva uma carta ao seu brinquedo favorito.


Olá amiguinho,
Vieste antes do tempo sem data nem hora marcada. Ocupaste o teu lugar sem avisar, apareceste assim do nada. Usurpaste-me os planos, as viagens, os serões, as leituras, o tempo, esse bem precioso, que despendia conforme me apetecesse, sem horários nem urgências. Com a destreza e a coragem, que tão bem caracterizam a tua personalidade, tornaste-te no centro do meu mundo, e auto-nomeaste-te o meu “brinquedo” favorito. Um brinquedo muito real, que chora, que come, que faz xixi e cocó, que adora os meus miminhos, que me rodeia o pescoço num abraço apertado e que me encharca o rosto com beijos deliciosos e dentadinhas dolorosamente prazerosas.
Dono do sorriso mais lindo e da gargalhada mais viciante do mundo, és tu o despertador das minhas manhãs, o senhor dos meus dias, a estrela das minhas noites, o meu “brinquedo” vivo de carne e osso que atrai toda a minha atenção, lealdade e amor. Acompanhar a tua aprendizagem, partilhar cada nova vivência, cada gracinha, cada traquinice é o meu passatempo favorito. Deixei as leituras e as séries do Fox Life, para próximas núpcias. Contemplar-te dá-me infinitamente mais gozo.
Quero que saibas que és o melhor “brinquedo” que alguma vez recebi. És infinitamente melhor do que a mansão da Barbie que recebi pelo Natal de 84 ou que a viagem a Nova Iorque em 2007.
És único, és o meu filho querido, és o melhor que a vida me deu.
Amo-te
Um chi-coração da mamã.

14.º Campeonato de Escrita Criativa - 1.º Desafio


Imagine e descreva como seria o dia mais estranho que poderia viver no seu local de trabalho.

Assim que passo a porta noto a sua ausência.
O que lhe terá acontecido? – Penso. - Nunca se atrasou, sequer um minuto, durante todos estes anos! 
A sua cadeira vazia, é engolida por um silêncio sepulcral. Sinto-lhe a falta. Não tenho ninguém a quem dizer bom dia, nem tão pouco com quem dividir o meu silêncio. Onde está aquela voz rouca que esporadicamente se ouve, a não ser para expelir ordens arrogantes? Que faz perguntas para as quais só ela tem as respostas e que não se cansa de trautear canções irritantes que se misturam com o som dos teclados.
Sento-me no meu lugar de onde vislumbro a sua secretária arrumada e organizada, na qual aparentemente costuma reinar o caos e a confusão, mas onde tudo tem uma ordem só compreensível ao seu senhorio.  

Sinto-me confusa, por esta altura já tinha ouvido o seu pigarrear irritante pelo menos dez vezes. Havia dias em que o seu esforço constante em clarificar a voz irritava-me. Hoje, estranhamente, sinto-lhe a falta!

- Sabes alguma coisa do chefe? – Pergunto ao meu colega que acaba de chegar.

- Não, porquê, ainda não chegou? – Questiona admirado. – Deve estar para cair algum santo do altar! – Exclama divertido.
- Parvalhão. – Pensei, sem responder enquanto ligava o computador.
Bem sei que não é uma pessoa de fácil trato. Rígido, arrogante, taciturno, autoritário. Mas gosto dele! Sempre gostei!
A meio da manhã recebo um enorme ramo de flores, com um bilhete, que diz:
- Bom dia, foi um prazer conhece-la e trabalhar consigo. Devo-lhe dizer que desde que aconteceu a revolução dos cravos, que deixou este país de pantanas e especialmente os jovens de cabeças às avessas, a Ana foi a minha melhor aprendiz. Desde já nomeio-a minha substituta. Está apta a tomar as rédeas e pôr essa gente na ordem. Da minha parte, vou gozar os restantes dias que ainda tenho de boa saúde ao lado da minha companheira de há mais de sessenta anos. Aquela que sempre me apoiou e que sempre tolerou o meu mau feitio. Já estou velho para correrias, os meus setenta e oito anos já me pesam.
Uma última ordem: apaixone-se, senão vai acabar ranzinza como eu.
PS: Partilhar do seu silêncio foi um enorme privilégio.

14.º Campeonato de Escrita Criativa com Pedro Chagas Freitas




Resolvi que, se calhar, seria uma boa ideia. Pus o medo da rejeição de parte e atirei-me de cabeça. Vamos lá ver no que vai dar! Já diz o velho ditado, que quem não arrisca não petisca.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012



Ontem enquanto aguardava pelo talão referente a um pagamento, irrompe pela loja adentro uma mulher com duas crianças. Uma menina que passeava a alta velocidade um carrinho de bonecas e um menino que corria em círculos. Ambos falavam muito alto.
A mulher dirigiu-se ao balcão e disse que queria ter uma conversa privada com a empregada. De repente, sem aviso prévio, e ainda estando eu presente, começou com um discurso nervoso e atabalhoado.
Na casa dos trintas e muitos ou quarentas e poucos anos esta senhora elegante, de cabelo negro e com evidente formação superior estava completamente transtornada. O filho de 14 anos tinha ido viver com o pai em troca de uma bicicleta. Ela estava revoltadíssima porque tinha sido despedida da empresa onde trabalhava por ter ficado grávida e até já se tinha sujeitado a um trabalho intelectualmente inferior para poder criar os filhos condignamente. O contrato findou e veio de novo para o desemprego. Como vingança, e forma de lavar a alma, propôs-se a difamar a empresa que a tinha despedido ilegalmente. Agora, anda de loja em loja, em todos os centros comerciais, onde esta empresa está presente e pede para que ninguém consuma produtos da respectiva marca.
Saí daquela loja com o coração magoado, pude sentir-lhe o sofrimento e a doença que se tinha apoderado do seu corpo e do seu espirito. Aquela mulher exalava ódio, rancor, raiva, mágoa, uma miscelânea de sentimentos negativos que a deprimiam e a arrasavam. Era contagiante aquele seu estado de alma.
á diz o velho ditado que não é com vinagre que se apanham moscas. Não é enviando ódio e raiva que recebemos amor e afecto.
A grande maioria das pessoas concentra de maneira errada a sua energia.  Focam-se no que não têm, no que gostariam de ter, naquilo que os outros têm. Na raiva, na inveja, na vingança. Acredito que aquilo em que nos focamos é o que recebemos de volta, qual boomerang. Mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra, recebemos o troco.
Perder um filho, seja de que forma for, deve ser realmente de uma dor indiscritível. - Nem quero pensar nisso. Sou incapaz de me meter no lugar de uma mãe “órfã”. - Mas acredito que o amor fala mais alto que qualquer bicicleta ou Ferrari, e, quanto a mim esta senhora só está a perder o tempo que deveria empregar em amor, carinho e atenção consigo mesma, e especialmente, com os filhos que infelizmente absorvem toda a sua negatividade. Não é desta forma que conseguirá um emprego e muito menos reaver o amor e a atenção do seu filho.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Quando ele se esquece do meu aniversário, o que é que isso significa? O que é que isso quer dizer? Que já não sou tão importante na sua vida como um dia já fui? Que a paixão de outrora escaldante e avassaladora que nos tirava o pé e nos submergia na loucura acabou? Que o amor, a preocupação e o companheirismo evaporaram na chama dos conflitos e da monotonia?
Ou devo acreditar na sua história mal contada e culpar o seu trabalho e os compromissos urgentes?
Pensei que isto nunca me aconteceria. Que nunca seria a protagonista de uma novela cujo argumento é esquecido pelo meu herói romântico. Ou será que já não sou a protagonista nesta história que já foi minha?

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Coisas de filha


Hoje duas das pessoas que mais amo e prezo fazem 40 anos que ataram os laços das suas vidas. Tenho a certeza que farão tantos mais anos quantos aqueles que viverem. Há 40 anos que vivem um amor incondicional e uma amizade plena e verdadeira, digna da inveja, até de Adão e Eva ou de Pedro e Inês. Apesar dos feitios invulgares e pouco fáceis, lá se vão entendendo, e caminhando a par e passo numa vida que nem sempre fora fácil, combatendo as vicissitudes e as maleitas que se avizinharam, dando lugar ao amor. Tenho um orgulho imenso nesta relação tantas vezes conturbada e discutida, (mas lá diz o ditado que casa que não ralhada não é bem governada) nem sempre exemplar, mas que pode servir de exemplo. Gostava de poder dar ao meu filho tudo o que este magnifico casal me deu e me proporcionou, mas gostava, especialmente, de lhe mostrar que os avós não são uma exceção. Que os casamentos podem e devem durar, que apesar das diferenças, dos antecedentes e dos ascendentes, fomos feitos essencialmente para amar. Que podemos sobreviver comendo sopa todos os dias, que podemos sobreviver num T0 mais pequeno que uma caixa de fósforos, que podemos sobreviver sem roupas ou ténis de marca, e toda essa parafernália materialista, mas que, nunca, jamais conseguiremos sobreviver sem amar.

Parabéns aos meus pais. Amo-vos do fundo do meu coração. Obrigada por tudo.

Coisas de mãe


O meu coração de mãe sente-se mais tranquilo, agora que vejo uma ligação mais forte entre o meu Di e o pai. Estava preocupada, pensava constantemente: “E se me acontece alguma coisa? O meu Di vai-se sentir totalmente desamparado. Ele só me quer a mim, só quer o meu colo, a minha companhia, a minha atenção dispensando todas as outras.” Agora que vejo aquela chamazinha a acender entre os dois fico mais sossegada. Sinto-me aliviada. Se me acontecer algo (espero que não, toc, toc, toc, bato na madeira 3 vezes), o meu Di já não se sentirá tão desamparado na companhia do pai, pois passou a reconhecê-lo como tal. Fico tão mais descansada, por saber que ficaria com alguém de quem gostasse. Só quem é mãe, compreende o que sinto.

quinta-feira, 24 de maio de 2012


Ontem dei comigo a pensar numa aula de português do secundário em que debatíamos o tema “Droga”. Lembro-me especialmente de uma colega, que no apogeu da sua autoconfiança, com apenas 16 anos de idade, disse: “Se eu tiver um filho toxicodependente, prefiro vê-lo morto a vê-lo nessas figuras.”

Nunca mais me esqueci da sua expressão convicta e arrogante de quem tudo sabe, de quem parece já ter vivido uma vida longa cheia de dificuldades e infelicidade. Pior que esta opinião imatura foi a minha digníssima aprovação.

Estúpidas! Burras! Envergonho-me até hoje. Quando somos adolescentes achamos que sabemos tudo acerca do mundo, acerca dos sentimentos, que o que já vivemos basta-nos para formar opiniões sobre a vida real, sobre esta profissão que tem tanto de compensatória como de exigente: ser mãe.

Que ingenuidade pensar-se que aos 16 anos pode-se saber o que faremos aos 30 ou aos 40. Que ingenuidade pensar-se que aos 20 anos já sabemos o essencial da vida. Aliás, nem aos 20, nem aos 30, nem aos 60, saberemos o que é o alimento mais saboroso da vida se nunca provarmos este doce sentimento que nos sacia o coração e nos alimenta a alma. Que nos dá força e poder, que nos mantém humildes e crentes perante a força de Deus.

 Quando penso no futuro do meu filho vejo-o casado ou solteiro, com filhos ou sem filhos, heterossexual ou homossexual, engenheiro ou bate-chapas, cantor ou actor, tanto faz, não importa as escolhas que tomar, as suas opções são assunto dele, o que apenas desejo é que seja essencialmente feliz e saudável.

Estarei lá sempre que ele necessitar de amparo e de amor redobrado, triplicado, quadruplicado. Tentarei impregnar a sua mente e o seu coração de afeto, de bondade e fé, pois são as armas mais preciosas para combater este mundo duro e cruel, cheio de armadilhas e embustes. Por isso afirmo com a firmeza destemida só de quem é mãe, que ficarei sempre do seu lado para o que der e para o que vier. 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Onde é que elas foram parar?


Em miúda e na adolescência era magríssima, assim para o escanzelado. Um montinho de ossos todos muito bem articulados. Movia-me com destreza e elasticidade. Na aula de educação física, e logo a seguir à minha amiga M, era a melhor nas cambalhotas e nos saltos de trampolim, já no futebol tentava esquivar-me das boladas que me derrubavam e me estragavam pose de Lady. Não era a miúda mais gira do colégio e nem tampouco a mais desejada. Desde cedo percebi que os homens preferem as roliças com chicha. Para meu desgosto a única coisa que sobressaía no meu corpo ossudo eram as minhas mamocas, redondas e rechonchudas que eu tentava a todo custo esborrachar atrás de um soutien que de tão apertado quase me sufocava. Eram o centro das atenções, chegavam a todo lado 1 segundo primeiro do que eu. Eram um cartão-de-visita embaraçoso, especialmente na praia. Deitada de barriga para cima, o meu corpo magro quase se confundia com a areia, não fossem as ditas que de tão empinadas mais pareciam o Empire State Building, a dobrar, um ao lado do outro, ali taco a taco.

Por volta dos 24 /25 anos o meu corpo começou a ganhar um novo formato. Sim, eu sei que foi um pouco tardio, comparativamente com as outras raparigas que por volta dos 14/ 15 anos já parecem a estrada de acesso à serra da Arrábida, cheia de curvas e contra curvas. Mas só quando comecei a praticar desporto e a gostar de fazê-lo, (gosto que se mantém até aos dias de hoje, mas que infelizmente não consigo concretizar por falta de tempo), é que efetivamente se verificaram resultados. De bacalhau seco e desenxabido passei a uma bela e magnifica sereia. Estou a brincar, desculpem a insolência. É claro que estou a exagerar. Obviamente não ousarei comparar-me com a linda e escamuda sereia Soraia Chaves com a sua barbatana vermelha no mar Vodafone. Bem pensando melhor, até existe algo em comum entre nós, para além da cor do cabelo, aquilo, ou melhor, aquelas que me causaram tantos complexos na adolescência mas que a ela lhe renderam tanto protagonismo. As mamocas pois claro, o que haveria de ser.

Tudo isto para resumir que hoje de manhã enquanto espalhava o creme pelo corpo reparei que as ditas que outrora me deram tantas dores de cabeça estavam menos rechonchudas, um pouco descaídas até.

Mas ca raios! Onde é que elas foram? – Pensei, incrédula enquanto me virava para o espelho para ver o que se passava.

Constatei, que de facto não estão tão rechonchudas, e os soutiens que outrora me assentavam que nem uma luva, estão um pouco largos.

Mas por que carga de água estarei a perder este atributo que ultimamente até achava graça? – Pensei, preocupada.

Nisto olho para o meu Di, que de dedinho em riste apontava para as ditas cujas e palrava um “mamamamamamama”, demonstrando a sua vontade de se saciar.

Pensei, pois bem ora aqui está a resposta à minha questão. Enquanto ele cresce, elas minguam!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Filhos - Helena Sacadura Cabral



Ontem de manhã estava a rodar canais e parei na TVI quando me pareceu ver a Helena Sacadura Cabral. Fiquei incrédula, dias após a morte do seu filho Miguel, e lá estava a Helena com o seu enorme sorriso, que tão bem a caracteriza, sentada entre o Mário Zambujal e a Júlia Pinheiro. Ainda pensei que o programa teria sido gravado, mas depressa a duvida se dissipou quando vi a palavra Directo.

Como conseguia a Helena estar ali em amena cavaqueira depois de tamanha perda? Pensei como me sentiria perante a perda de alguém que eu amasse muito. Mas nunca o meu filho. Isso para mim é impensável, não me consigo ver a sobreviver ao meu querido Di, e olhem que acredito que a nossa existência não acaba aqui. Acredito que somos seres essencialmente espirituais e que quando fisicamente nos extinguirmos nos encontraremos com os nossos mais queridos (e com os menos, também!) em alguma parte deste enorme universo. Mas prefiro ser eu a esperar por ele nesse tal lugar, que nunca ninguém viu, não vá o diabo tecê-las.

Pensei na morte do meu pai, da minha mãe, do meu irmão e do meu marido, as pessoas mais importantes da minha vida. Em como seria doloroso perde-los. Em tempos desejei morrer primeiro que todos eles, para não ter que passar por tanto sofrimento, mas após o nascimento do meu filho tudo mudou. Quero vê-lo crescer e tornar-se num homem essencialmente feliz, para além de tudo o que possa vir a conquistar.

Da incredulidade passei à admiração. Admirei a Helena pelo exemplo de força interior e especialmente pela doçura. Sim, acho que é preciso uma paz de espirito e uma força interior inabalável para se enfrentar a morte de um filho com tamanha doçura. É preciso já se ter vivido o bastante para se atingir o patamar que a Helena atingiu, é preciso conseguir aceitar a dor que a falta física nos proporciona e fundamentalmente, é preciso perdoar quem nos abandonou e decidiu partir, ainda que inconscientemente.

Só um aparte, acho que a Helena acredita que o diabo não vai tece-las! E quem acredita, consegue.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Família e outros que tais


Dizem que família não se escolhe, tem-se. Pois bem, mas se eu tiver a oportunidade de escolher a minha família na próxima encarnação, escolherei exactamente a mesma. Só mudaria os parentescos. Gostaria de ser mãe dos meus pais.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Amizades e relações


Hoje sonhei com a minha querida ex-amiga Vera. Conheci a Vera ainda éramos miúdas, de soquetes e joelhos arranhados, de canelas negras e totós desgrenhados. Brincávamos à apanhada e às escondidas. Corríamos na praceta, que olhava por nós como uma ama dedicada, empanturrávamos-mos de pão barrado com manteiga polvilhado de açúcar acompanhado de uma deliciosa caneca de leite com Nesquick. Já mais crescidas dividíamos amores platónicos entre actores e cantores pop e rock. Quando nos apaixonávamos era em dueto. Sempre pelo mesmo rapaz e dividíamos esse amor entre risos e gargalhadas, sabendo de antemão que nunca seria de nenhuma de nós. Éramos apenas duas catraias magricelas pouco atraentes enubladas pelas beldades roliças lá do bairro. Passávamos os três meses de férias de verão juntas e quando chegava mais um ano lectivo sonhávamos com as férias de Natal para voltarmos a partilhar a nossa vida, as nossas vivências, a descoberta do nosso pequeno mundo. A nossa amizade era verdadeira, estreita, íntima, sem filtros, nem falsidades ou mentiras. Éramos amigas a valer. De tão estreita convivência acho que até chegávamos a ser parecidas fisicamente, como os conjuges dos casamentos cinquentenários. Pelo menos houvera quem pensasse que éramos irmãs.

Tenho pena que esta amizade tenha chegado ao fim. Já passaram uns bons anos que não nos falamos, ou melhor que nem sequer nos vimos. Perdemos o contacto, perdemos os laços, desataram-se os nós das nossas vidas, outrora cegos, impossíveis de desatar. Hoje seguimos lado a lado em linha recta sem nunca nos cruzarmos. Tenho pena, tenho tanta pena. Sinto-lhe tanto a ausência. Faz-me falta a alegria, a seriedade, a postura assertiva, o companheirismo do membro mais importante da nossa minúscula irmandade. Assumo a minha culpa, assumo a desconsideração que lhe tive, assumo o fraco desempenho, assumo a minha parte nesta estúpida quezília infantil e insignificante. Todos os dias no meu mundo secreto, imagino que nos reencontramos e que refazemos a nossa amizade através de um longo abraço e que todos estes anos de ausência não foram mais do que um “ontem”, ou no máximo dos máximos uma “semana passada”, e que voltamos às gargalhadas, às confidências e ao companheirismo de outrora. Quem sabe se Deus não responderá aos meus desejos. Acredito que sim!


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Bom fim de semana

Deixo-vos com este senhor que me tem acompanhado nos ultimos dias. Único!

Milagre


Depois de uma manhã perdida às voltas no Blogger eis que se resolveu o problema. E ainda bem!, fico muito contentinha, mas também podia ter levado muito menos tempo. Assim que publiquei a mensagem de pedido de ajuda, voliá!, a  bendita caixa de comentários apareceu no post. Ou seja, as alterações que se efectuam só se verificam no próximo post publicado.

Raiospartam #$%&"


OH SENHORES! Alguém me acuda!! Acudam-me porque já não sei o que fazer. O raça do bloguer não quer mexa. Então não é que não me aparece a caixa de comentários por baixo de cada post! Não que receba muitos comentários, ou melhor nunca recebi nenhum, mas se a p#$& da caixa não aparece, aí sim, é que nunca receberei um único comentário. O mais caricato é que a maldita aparece nos posts até de 29 de Fevereiro, a partir dessa data evaporou-se de tal maneira que já dei voltas nas “definições” no “esquema” e nada da malvadona! O que faço?? Se alguém me lê, que me envie uma pequenina mensagem, o ideal seria com a resolução , mas um “olá estou aqui só para apoiar” também não seria mau!